Agronegócio

1,8 mil famílias deixaram produção de leite em 2016

Grupo de Trabalho do Codevat quer propor alternativas ao governo gaúcho para estancar o problema da importação

Créditos: Rodrigo Nascimento
- Lidiane Mallmann/arquivo

Vale do Taquari - Entre 2015 e 2016, o número de produtores de leite que abandonaram a atividade, na região, segundo a Emater/RS-Ascar, é de 1.839. O indicador será utilizado como sinal de alerta ao governo gaúcho, na busca por providências à crise do leite. O Grupo de Trabalho (GT) que se debruça sobre a causa desde o fim de 2016 quer ir a Porto Alegre para unir esforços em torno de uma solução.

O GT é um dos braços do Conselho de Desenvolvimento Regional do Vale do Taquari (Codevat), e reuniu na manhã de ontem, os principais atores da cadeia produtiva. "Nós queremos ser parceiros do governo do Estado. Estamos dispostos a encontrar uma solução juntos", explica a presidente do Codevat, Cíntia Agostini. Ainda no mês de agosto, a região quer ir até o Piratini e criar ações para mudar a realidade. "Já falamos muito, agora é tempo de agir", ressalta.

De acordo com Cíntia, a situação da produção de leite é crítica. "Quem é do ramo relata que estamos na prior das crises, em um tempo de entressafra. Caso não seja realizada nenhuma mudança, quando ocorrer o aumento na produção, em poucas semanas, ficará ainda pior."

Alíquota
Em entrevista recente a O Informativo do Vale, o secretário Estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi), Ernani Polo, destacou que o problema das importações de leite - principal algoz da produção estadual -, segue regras internacionais, convencionadas entre Brasil e Uruguai. Segundo ele, contra isso, não há o que fazer.

A região rebate, outra vez, com números. Segundo o Codevat, em 2013, o percentual de leite importado do Uruguai que entrava no Rio Grande do Sul era 14,45% da produção daquele país. Quatro anos depois, o volume subiu para 44,5%. "Isso tem relação com a redução da alíquota de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), implantada pelo governo gaúcho, por meio de decretos."

Relembre o caso
- No mês de julho, no início da entressafra, o preço médio do litro, pago aos produtores do Vale estava fixado em R$ 1,15, valor abaixo do limite do necessário para bancar os custos de produção na propriedade rural. Na época a própria indústria, representada pelo Sindicato (Sindilat), reconhecia a enxurrada de leite estrangeiro como um dos entraves ao mercado. Além disso, o Sindilat elencava a baixa no consumo do produto e dos derivados, como outro problema enfrentado pelo setor.
- Além disso, a Comissão de Economia, Desenvolvimento Sustentável e Turismo da Assembleia Legislativa do Estado pediu a imediata revogação de dois decretos estaduais de 2016 que reduziram a alíquota de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), na compra de leite fora do Brasil, especialmente do Uruguai. Em julho, os parlamentares estavam em recesso. Até agora a pauta não foi retomada.

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