Agronegócio

Encontro diocesano de sementes crioulas incentiva a agroecologia

Evento destaca a importância de uma produção saudável

Créditos: Celso Carlos Prediger
EXPERIÊNCIAS: um grande público prestigiou o evento que mostrou uma grande variedade de produtos - Celso Carlos Prediger

Santa Clara do Sul - Um expressivo número de pessoas esteve presente, ontem, durante a realização do Encontro Diocesano de Sementes Crioulas, evento que foi desenvolvido no Clube Esportivo Santa Clara, sob a coordenação da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da igreja católica. Com o propósito de valorizar e resgatar sementes de alimentos utilizados pelos ancestrais, os organizadores destacam a importância do trabalho de preservar espécies e assim assegurar uma alimentação saudável.

A intenção é a de contrapor o avanço do cultivo de plantas a partir de sementes geneticamente modificadas. Na abertura do evento, várias autoridades se manifestaram, entre as quais, o pároco local, padre Zeno Graeff, o bispo diocesano dom Alberto Dilli e o prefeito Paulo César Kohlrausch. Todos destacaram a importância desta iniciativa para valorização de uma alimentação saudável e sem agroquímicos.

Promoção da vida

Segundo destaca o padre Zeno, a igreja católica sempre apoiou as iniciativas de promoção da vida e da educação para uma prática agrícola sem o uso de defensivos. O trabalho desenvolvido há muitos anos procura conscientizar as pessoas acerca de uma mudança no comportamento, tanto na produção, quanto no consumo. Graeff citou como exemplo o cultivo de milho crioulo, quando consumido na condição de milho verde, tem um gosto muito melhor, do que as variedades comerciais.

O técnico agrícola que atua junto à diocese, Mauricio Queiroz, destaca a necessidade de se preservar antigas sementes, como as de milho, que através da troca entre produtores, possibilitam melhoria das qualidades. Salienta, ainda, que há um número crescente de pessoas de diferentes regiões do Estado que se interessam pelo assunto e participam dos encontros.

Pequenos

O objetivo central do trabalho é resgatar sementes antigas e apoiar os pequenos produtores rurais no cultivo das espécies. De acordo com Queiroz, elas são chamadas de "sementes da vida", conhecidas na sua forma original, cujo cultivo contribui para a biodiversidade. Para que este trabalho possa ser eficiente e traga resultados, é preciso conversar com pessoas de idade que se dedicaram a preservação, e envolver os jovens para que estes prossigam resgatando estes cultivos.

Outra liderança presente ao evento foi a coordenadora regional da Comissão das Mulheres Trabalhadoras Rurais, Lovani Maria Ely, que lembrou a atuação das mulheres nesta área. Elogiou os preparativos para este encontro, que consumiu vários dias de trabalho.

Participação

O agricultor Dirceu de Siqueira participou pela primeira vez. Ele é do município de Herveiras, no Vale do Rio Pardo. Sua família dedica-se há muitos anos à utilização de sementes crioulas nas lavouras de subsistência, o que já era feito por sua falecida mãe. Ele entende que as pessoas devem mudar de postura no aspecto da alimentação.

Ele destaca que é visível, que uma boa parte das atuais enfermidades têm relação com produtos contaminados que se ingere, e chama a atenção para o crescimento dos casos de câncer, o que já era previsto há alguns anos.

Animação

Uma equipe de música assegurou a animação dos participantes, no decorrer do encontro, que teve também a confraternização e a partilha de ideias, como uma de suas marcas. Ao mesmo tempo, os presentes também tiveram a oportunidade de ver todas as sementes e espécies de plantas expostas nas mesas, no salão da sociedade.

Entre as espécies expostas, estiveram sementes de diversos tipos de milho, feijão, arroz, diversos tipos tubérculos, ramas de aipim e cana-de-açúcar.

 

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