Agronegócio

Oscilações bruscas de temperaturas perturbam a produção de frutas

Geadas tardias, com frutos já em formação, podem significar prejuízos no pomar

Créditos: Celso Carlos Prediger
- Celso Carlos Prediger

Vale do Taquari - As oscilações acentuadas de temperaturas, com alternância de frio e calor, são uma preocupação para os agricultores que atuam na produção de frutas. Estas alterações, quase sempre, trazem consigo a possibilidade de prejuízos para a safra das diversas espécies e variedades produzidas na região.

A observação é do engenheiro agrônomo Derli Paulo Bonine, do escritório regional da Emater/RS-Ascar, que faz uma avaliação das condições do clima para esta temporada. Segundo ele, há três categorias de frutas que se diferenciam em termos de clima.

Plantio

A categoria de frutas de clima tropical, das quais fazem parte o mamão, a manga, a banana, o maracujá e o abacaxi, são altamente vulneráveis às geadas. Mesmo assim, não significa que elas não possam ser cultivadas em nosso Estado, desde que isso seja para fins de consumo próprio, pois em escala comercial o risco é muito grande e isso pode tornar-se inviável economicamente, destaca Bonine.

Já a categoria de clima subtropical, é composta pelo abacate, pelas variedades cítricas e a goiaba, entre outras. Elas não perdem as folhas no inverno e que embora também prejudicadas pelas geadas, o impacto é menor, coloca o agrônomo. O cultivo destas é ideal em locais com frio, mas livres de geadas. Quando elas ocorrem, ocasiona a queda de frutas, o que já vem ocorrendo no caso dos cítricos.

Colheitas retardadas

Quando ocorrem variações de temperaturas, como nas últimas semanas, a estratégia é retardar a poda, processo que vai estimular as brotações - explica Derli. Desta maneira, o agricultor terá uma safra na primavera/verão, quando a oferta do produto terá sofrido queda. É quando os preços estarão em patamar mais atrativo, argumenta o técnico da Emater.

As frutas de clima temperado, constituído pelas caducifólias (que perdem as folhas no inverno) - como a macieira, a videira, a pereira e a ameixeira, necessitam de variadas horas de frio, sem geadas, e de calor na primavera. Neste contexto, a uva é um dos cultivos de maior expressão na região administrativa atendida pelo escritório regional.

Brotações

Os grandes riscos, destaca Bonine, são as brotações atingidas por geadas tardias, o que geralmente é prenúncio de perdas, pois é o período em que as frutas já estão em formação. Os prejuízos sempre são variáveis, dependendo a intensidade do fenômeno, bem como da espécie de fruta atingida. Mas, há casos em que a perda é total, adverte o agrônomo.

O ano passado, em virtude de condições favoráveis - frio e calor no momento certo, rendeu uma das melhores safras dos últimos anos. Ao finalizar, Bonine lembra que agora, o ideal seria haver frio sem geadas, para que pudesse ocorrer uma brotação uniforme.

Como driblar o clima

O agricultor Maurício Klauck, que possui uma propriedade em Palmas, Encantado, trabalha com a produção de uvas, concorda que a variação de temperatura possa prejudicar a produção de frutas, principalmente o pêssego e a uva. Entre as variedades rubi, rainha e itália, ele cultivou aproximadamente mil plantas, com uso de um elevado padrão tecnológico, em ambiente protegido e com recurso de irrigação.

Para a instalação das videiras, ele gastou ao redor de R$ 400 mil. Com formação superior em Viticultura e Enologia, Klauck destaca que há uma série de práticas que devem ser implementadas para reduzir o impacto que a variação climática impõe às videiras. A uva precisa ter muitas horas de frio constante - de acordo com cada variedade, para que haja uma safra de boa qualidade e uniforme.

Saiba mais

Quando as condições climáticas não são as ideais, o produtor recorre a práticas de manejo adequado, que estão relacionadas à poda e ao uso de produto que faz uma espécie de compensação para reduzir o impacto da variação do clima, sem no entanto deixar poder residual. O raleio de frutos também é apontado como algo que contribui para uma safra mais uniforme.

Quando o agricultor não tiver conhecimento suficiente, segundo Maurício, deve socorrer-se de auxílio de um técnico capacitado. A produção da família é vendida na propriedade, quando da visita de pessoas que queiram conhecer a atividade. Na safra passada, o quilo do produto foi comercializado a R$ 8. A estimativa é que na próxima safra, sejam colhidos de 12 mil a 15 mil quilos.

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