Agronegócio

Um gestor de futuro

Diego Augusto Dickel mostra como inovar e ter resultados com o trabalho cooperativo

Créditos: Gigliola Casagrande
Diego Augusto Dickel: produção leiteira duplicada com a aplicação de conhecimentos de gestão - Lidiane Mallmann

Às 5h de ontem, a temperatura despencou a - 0,3ºC no interior de Teutônia, como registra a Estação Meteorológica da Linha Catarina. Na vizinha Linha Gamela, o dia mais frio do ano foi apenas mais um de lida para Diego Augusto Dickel. O jovem de 26 anos toca com habilidade a propriedade de 37 hectares. A rotina é dura, mas a produção leiteira, de aves e suínos não mete medo. "O trabalho com o leite é sofrido. Além de ser de segunda a segunda, nos últimos anos, foi pesado. Com a crise, tem época de custo alto, mas, principalmente, o preço muito baixo, devido à importação", observa o associado da Cooperativa Languiru.

Dickel encara os desafios bem preparado. Há oito anos, concluiu o curso técnico agrícola no Colégio Teutônia, mesma época em que resolveu que seu futuro era ali, naquela terra. "A decisão de ficar foi instantânea, pela necessidade de avanço na propriedade. Pelo patamar em que ela se encontrava, precisava melhorar, principalmente a gestão, para obter melhores resultados", explica. Depois, cursou agronegócio na Faculdade La Salle, em Estrela, concluído no ano passado. O jovem aproveitou a teoria na prática e colhe os resultados. Com os investimentos, dobrou a produção leiteira. "Vamos chegar a 45 mil litros por mês, com mais animais - hoje são 50 em lactação, fica em 40 mil litros", informa. São 12 mil aves e os suínos somam 360. Dickel salienta que o trabalho cooperativo tem muitas vantagens, em especial porque a Languiru atua em muitos setores, como rações e medicamentos.

"Não se depende de outros. Sempre se consegue confiar na cooperativa, negociar e comprar deles", ressalta. "Óbvio, têm que ter o preço melhor, mas eles têm", acrescenta o administrador, que mantém os cálculos sob controle. Falando em dinheiro, a segurança financeira é outro aspecto positivo do sistema cooperativo. "Em primeiro lugar, tem a garantia de receber. É certo que, dia 10 ou 12, o dinheiro vai estar na conta, não precisa se preocupar. E ainda tem toda a questão das sobras", comemora o jovem, referindo-se ao valor dividido entre os associados. "Vamos dizer que é uma aposentadoria."

Apesar da pouca idade - e longe de largar a lida -, Diego fala com a experiência de um administrador que conhece seu negócio. Uma legitimidade construída com o aprendizado em programas como o de sucessão familiar. No ano passado, integrou a primeira turma do Programa de Desenvolvimento da Liderança Cooperativa. Foi realizado pela Languiru com apoio do Sistema Ocergs-Sescoop/RS e execução e acompanhamento pedagógico da Universidade do Vale do Taquari - Univates. "É preciso valorizar muito quem teve a ideia de implementar isso. Porque a Languiru estava precisando de aprimoramento de gestão. E, com esse curso, ao se qualificar o associado, se faz com que muitas pessoas estejam aptas a assumir um cargo", elogia o jovem.

Para o presidente da Languiru, Dirceu Bayer, que integra o segundo grupo do curso, a participação dos associados é fonte de inspiração. "A profissionalização deve ser estimulada em todos os setores do cooperativismo, e essa dedicação do nosso quadro social serve de exemplo. Quanto mais as pessoas conhecerem a cooperativa e o cooperativismo, mais seremos fortes para superar as dificuldades que se apresentam e preparados para colher os frutos desse empenho."
Bayer salienta que os produtores rurais são verdadeiros empresários do campo. "Administram suas propriedades e são donos de uma cooperativa que estima faturamento bruto de R$ 1,5 bilhão neste ano. A Languiru cresce e os nossos associados têm a oportunidade de acompanhar esse crescimento. Para isso, é fundamental a gestão, a atenção especial à sucessão, com visão de futuro."

Dickel sabe bem disso. Tanto que é suplente no Conselho de Administração da cooperativa. "A indicação é positiva, é sinal de que o trabalho que a gente faz é reconhecido", diz ele, com orgulho. Isso o motiva a não ficar parado. Ele busca a expansão da produção, que ainda esbarra na dificuldade de mão de obra. "Tem que se qualificar e ser mais eficiente, porque a margem é cada vez mais estreita. Estou sempre em busca de novas tecnologias e desafios." O jovem agora anda às voltas com investimento em produção de energia fotovoltaica. A instalação das 92 placas, em local escolhido por ele a dedo, para melhor incidência solar, deve zerar a conta de energia.

A economia deve girar em R$ 20 mil pelos quase 43 mil quilowatts anuais. O dinheiro que deixar de ser gasto com a conta de luz tem destino certo. A propriedade, claro. Ela representa o futuro para Diego, que faz planos com a namorada Tainá Käfer, que trabalha em uma empresa de contabilidade. Juntos há mais de cinco anos, vão colher os frutos de tanta dedicação. E de trabalho árduo, faça chuva, sol ou temperatura abaixo de zero.

Produtor Diego Augusto Dickel investe em produção de energia solar para reduzir custos (LIDIANE MALLMANN)

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