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A pós-verdade

No mundo da política é difícil perceber onde a verdade termina e onde começam as mentiras.


"A linguagem política, destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e o crime se torne respeitável, bem como a imprimir ao vento uma aparência de solidez." George Orwell

No mundo da política é difícil perceber onde a verdade termina e onde começam as mentiras.

Por isso mais importante que a verdade é ter uma narrativa que pareça verdade e que convença os eleitores (numa democracia) a se manterem fieis ao partido ou ao político. A chave para entender esse novo mundo são os sentimentos e não a razão.

Maluf, finalmente preso, sempre teve eleitores que no fundo sabiam que ele roubava dinheiro público.

Até mesmo Lula que no inicio de sua carreira fugia de qualquer integrante da elite econômica e politica tradicional, acabou por apertar a mão daquele de quem diziam: "rouba, mas faz."

Maluf parecia insuperável no domínio da arte da estratégia dos políticos antigos: criar uma visão falsa do mundo.

Mas Lula acabou por superar a velha raposa. Nosso ex-presidente usa e abusa do que se conhece hoje como pós-verdade: Seus discursos não se destinam a convencer as elites, a quem os seus eleitores alvo não confiam nem gostam, mas para reforçar os preconceitos.

Não são os fatos e sim os sentimentos que interessam nesse tipo de campanha.

Lula habita um estranho país onde políticos tradicionais (os golpistas) se uniram a policiais federais, ao Ministério Público, aos juízes de primeira instância (Moro), aos empresários e a mídia apenas para destruí-lo.

Em um mês saberemos também se entrarão nesse rol a segunda instância do Judiciário.

Durante seu governo, monumentais quantias de dinheiro público foram desviadas. Empresas foram beneficiadas com financiamentos e favores, mas o presidente nunca sabia de nada. Seus mais próximos aliados foram presos e condenados, mas ele seguia não sabendo do que se passava.

Ele sempre foi e sempre será um homem do povo, um pai dos pobres. Ou pelo menos é assim que ele gostaria de ser visto.

E para isso ele precisa manter uma narrativa minimamente crível que passará a ser repetida entre seus seguidores e simpatizantes: Lula é vítima, Lula não é a causa da nossa crise, mas sim a solução. As elites são golpistas. Os brancos são fascistas e assim por diante.

Lembrem que é uma característica da pós-verdade o reforço dos preconceitos.

A outra é abusar dos sentimentos: "Eu, sinceramente, se, tiver uma decisão que não seja a minha inocência, sabe? Eu quero dizer para você que não vale a pena ser honesto neste país. E quero dizer que não vale a pena você ser inocente, porque ser inocente é você não dar aos acusadores o direito de prova, então, eles ficam nervosos e vão te acusar mesmo que não tenham provas."

Lula não é o criador da pós-verdade, tampouco Trump. A política pós-verdade tem muitos pais.

Se por um lado é interessante o questionamento que a pós-verdade faz das instituições bem como uma postura de falta de deferência e ceticismo em relação ao poder dos líderes.

Convém lembrar, por outro lado, que forças corrosivas também estão em jogo. Uma delas é a raiva e o ressentimento. A fragmentação das fontes de notícias tão comum nas redes sociais, criou um mundo atomizado no qual as mentiras, rumores e fofocas se espalharam com uma velocidade alarmante. Mentiras que são amplamente compartilhadas on-line dentro de uma rede, cujos membros confiam uns nos outros mais do que confiam em qualquer fonte de mídia comum, podem rapidamente assumir a aparência da verdade.

Infelizmente 2018 não será o início do fim da crise como sonham todos. Mas apenas o começo do uso da pós-verdade como ferramenta política em massa na eleição mais indefinida desde o fim do governo militar.

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