Colunistas

As reformas de efeito

Lauro Baum Administrador de Agronegócio


Nunca na história brasileira houve um coro tão visado em reformas. E como não se agrada gregos e troianos ao mesmo tempo, também estas são defendidas por uns e repudiadas por outros, sejam os motivos a necessidade, os efeitos ou seus conteúdos. Mas, enfim, que reformas fazem melhor para a nação num todo?
Mesmo que às vezes dá a impressão de que as horas são cada vez mais curtas para vencer as tarefas, que os dias das semanas passam muito rápidos e quando menos se percebe é comemorada nova virada de ano, a história segue o mesmo ritmo como de todas as eras catalogadas. O que acelera as mudanças é a evolução através do emprego da tecnologia e ciência. Com isso mudam os sistemas, as formas de vida e de convívio e, especialmente, as necessidades de cada classe social. Certamente esse quesito (necessidades) é o que mais carrega o fator das adaptações e atualizações que correspondem às tão batidas reformas que, querendo ou não, algumas se fazem necessárias. O que vejo que não está muito bem alinhado e isso impacta na aceitação da sociedade é a ordem como os fatos acontecem, seja em relação entre as reformas ou ao seu conteúdo. Tudo bem que o sistema previdenciário precisa ser revisto e atualizado. E falando deste, será que a tão explanada solução atinge todas as classes ou penaliza mais algumas em detrimento ao privilégio de outras?
As reformas devem ser consistentes, de efeito. Incluem-se ali as questões políticas e tributárias que, aliás, deveriam estar na dianteira de todas elas. Com raríssimas exceções porque algumas maravilhas sempre dominam a proteção, na grande maioria, desconhece-se uma classe empresarial, empregador ou mesmo trabalhadores autónomos que ostentam facilidade de sobrevivência. Pelo contrário, empresas de qualquer porte fecham as portas e cobrem as vidraças de papel pardo e ainda observar o percentual de desempregados no país. Muito próximo da unanimidade a causa se resume na alta carga tributária que não permite sobras, compromete o investimento e fecha o ciclo do desemprego. Na mesma tendência, no meio rural o cenário apenas muda de endereço. Vejam dois exemplos típicos no Rio Grande do Sul. Para sair da região do Vale do Taquari, os produtores de arroz trabalham e produzem com uma das maiores margens mundiais em termos de eficiência. No entanto, o setor está desempregando e migrando de atividade por causa da inviabilidade econômica. Já mais próximo do vale e não diferente no Estado e país, outro exemplo de amargura está no setor lácteo. Sem detalhes, para quem interessar, os dados estão disponíveis e confirmados no IBGE.
E a reforma política? Bom, essa talvez seja tão imprescindível que somente com uma repaginada de Estado para que todas as demais reformas possam ser compreendidas, realizadas e aceitas na sociedade. Entre tantas carências de nível nacional, algumas são locais. Tanto que é classificado como espantoso o número de gaúchos que migram para o vizinho Estado de Santa Catarina. Muitas empresas que poderiam gerar todas as formas de desenvolvimento tomaram o mesmo rumo. Atentem-se.


Lauro Baum

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