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Ascensão e queda


"Eu achava que a política era a segunda profissão mais antiga. Hoje vejo que ela se parece muito com a primeira."

Ronald Reagan (1911-2004)

Desde os primórdios, aos homens são dados limites. Adão e Eva foram expulsos do paraíso por não respeitarem a interdição ao fruto proibido.

Nos mitos gregos, a limitação era ao poder tirânico, ao poder exercido sem limites que fatalmente acabava por cegar e destruir. Foi assim que Cronos castrou Urano, e outros tantos foram apeados do poder.

Fora dos mitos o rei babilônico Hamurabi cunhou um código severo que restringia o comportamento humano ao pregar o olho por olho, dente por dente.

Mais tarde, os romanos foram ainda mais longe com seu sistema legal. Criaram a separação dos poderes e as eleições regulares, previram o impeachment e até hoje muitos dos termos usados no direito ocidental moderno vêm dessa fonte.
A Revolução Francesa avisou mais uma vez que havia limites aos poderes humanos ao cortar o pescoço do tirânico e incompetente Luís XVI.

Faço esse breve relato para chegar ao Brasil atual. Se há algo de novo nos dias de hoje é a tentativa de aplicação da lei de forma impessoal e sistemática.

Sei que há muito pessimismo no país, mas se olharmos pelo lado positivo veremos pela primeira vez bilionários sendo presos, políticos de primeira grandeza (no sentido de primeiro escalão) sendo condenados e até mesmo se vislumbra a possibilidade de jogarmos um pouco mais de luz na corrupção, que também reina no Poder judiciário, em especial naqueles tribunais onde a escolha se dá por critérios políticos.

Claro que esses novos tempos farão muitos espernear, especialmente aqueles que pretendiam exercer o poder de forma antiética, desonesta e por tempo prolongado.

Dentre esses se destaca, sem sombra de dúvida, Lula, o maior político brasileiro da segunda metade do século XX.

O homem que se tornou mito ainda em vida ao prometer passar a limpo os costumes políticos do Brasil, agoniza agora em praça publica à medida que seus truques são descobertos e revelados.

Acuado, usa o discurso ferino, mas enganador. Encarna um personagem ora messiânico, ora lembrando os velhos tempos de sindicalismo.

Tenta dividir para conquistar. Só que os tempos são outros, os juízes e procuradores são outros. Até a opinião pública mudou, só Lula e seu pequeno séquito não enxergam essa mudança.

Consciente de que pouco sobrou de sua reputação, o animal político tenta ao menos salvar a pele.

Para isso, vai tentar usar o ilusionismo verbal que o tornou célebre, mas que hoje, como um truque manjado de mágico, provoca mais repulsa que admiração.

Foi nessa situação que Lula tentou inventar uma nova forma de absolvição, a urna: "Eu, de vez em quando, falo que as pessoas achincalham muito a política. Mas a profissão mais honesta é a do político. Sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir para a rua encarar o povo, e pedir voto".

Nem Maluf teve tamanha ousadia!


Marcos Frank

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