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Carta ao presidente

Ito Lanius Empresário


Caro Presidente, é com muito respeito que me dirijo ao senhor. Respeito que tenho com toda autoridade constituída, principalmente se elevada ao cargo por processo legal. Não preciso dizer em quem votei, e sim em quais ideias e formas de governar o país compactuo.

Assim como a maioria, não acreditei na forma anterior (socialista, paternalista e corrupta) desde o princípio, mesmo nos sinais assertivos, pois eram insustentáveis. Portanto, apostei no senhor, como sendo a saída, talvez, meio radical. Tenho claro que as mudanças não seriam tão visíveis no Legislativo e no Judiciário - muitos dos que se elegeram já estavam lá e não há como mexer no Judiciário. Vejo que não será fácil consertar erros e implementar o que precisa ser feito para levar o Brasil ao "berço esplêndido". Tenho admiração pelo cooperativismo e outras formas de distribuir a renda e oportunidades. Porém, desde que, com jogo limpo e transparente.

Senhor Presidente, fiquei orgulhoso com a composição de sua equipe. Pela escalação de ministros com perfis destacados pela qualidade dos currículos - Sergio Moro e Paulo Guedes, entre os quais. Haverá equívocos que ocuparão mais espaços na mídia. É normal, pois a mídia e massa gostam de comentar mais o erro e menos o acerto. As administrações de empresas também ocupam-se mais com funcionários problemáticos do que com quem trabalha anônima e adequadamente.

Agora, falo de nós, o povo brasileiro, senhor Presidente. Somos de todos os tipos. Gente séria - uns 30% -, todo mundo se diz sê-lo. Uns nem tanto - mais 30% -, que trilham pelo meio certo e meio errado, mas acham tudo certo. Outros 30% são tão espertos que vivem de enganar. Parece que fazem, mas não fazem. Ganham bem, embora poucos entendam como. Não preciso defender os políticos, pois representam o universo desses cidadãos. Impossível classificá-los como melhores ou piores, pois são a nossa expressão. E se faz necessário entender a diversidade de comportamentos dos indivíduos nas entidades, nos negócios, no trabalho. Enfim, na vida.

Para finalizar, senhor Presidente, gostaria de lhe sugerir que seja menos personalista e mais artista. Os artistas estudam o personagem e procuram ser o mais fiel possível. Precisamos de um presidente honesto, que não seja conivente com falcatruas - no setor público e com os maus empresários. A iniciativa privada precisa de liberdade para trabalhar e produzir, com regras simples e objetivas. Cada negócio precisa cumprir sua função social, portanto ater-se às regras - , pagamento de impostos é uma delas. Malfeitores não podem ter privilégios. Sabemos da grande contaminação de entidades e instituições. Portanto, paciência, firmeza e muita persistência.

Senhor Presidente, muita atenção. Promova as correções, mas explique-as com muita intensidade. As pessoas têm de entender o que lhes espera no futuro. Caso contrário, a falta de melhorias trará o retrocesso democraticamente. A grande prova está na contrariedade com as reformas em andamento, fundamentais para a retomada do crescimento. Está claro que as pessoas imaginam um amanhã de perdas, tão forte é o barulho dos grandes privilegiados, que têm muito a perder.

Os empreendedores precisam de infraestrutura - aeroportos funcionando, portos competitivos, ferrovias para baixar o custo da logística, rodovias para reduzir os custos de manutenção da frota e ganhar tempo. De estados e municípios que possam cuidar das estradas vicinais e leis mais simples para regular a iniciativa privada. Não preciso falar da carga tributária.
Acredito, como o senhor, que o Brasil é um grande país. Precisamos trabalhar muito. Assim, Deus vai nos proteger.


Ito Lanius

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