Colunistas

Cheirar a rolha e outras (necessárias) frescuras...


"Boa comida e bom vinho é o paraíso na terra"
Henrique IV (1553-1610)

Não há bebida que case melhor com a gastronomia que o vinho. Claro que cerveja pode acompanhar muito bem o seu churrasco ou até mesmo o seu bife a cavalo, mas ninguém em sã consciência vai brindar um noivado com um fermentado de cevada nem irá a um bom restaurante francês ou italiano e tentará harmonizar seus pratos com uma loira gelada.
Ocorre que, com a popularização do consumo de vinho no Brasil, muita gente acaba ficando intimidada por aquilo que se chama a etiqueta do vinho, uma tradição europeia que se espalhou pelo mundo todo e já chegou a nossa região faz algum tempo.
Vamos ver se conseguimos simplificar o entendimento de cada um dos passos.
Atualmente, os bons restaurantes têm cartas de vinhos onde há uma seleção de espumantes, brancos, tintos e eventualmente roses. O objetivo é facilitar a vida dos clientes na tarefa de harmonizar seus pratos com o vinho mais adequado. Afinal, é difícil imaginar alguém conseguindo encontrar prazer gustativo em consumir uma sobremesa ou uma salada com um vinho tinto, por exemplo.
Claro que você é o dono do seu gosto e pode beber o que quiser, mas normalmente saladas e peixes pedem vinhos brancos; carnes e massas caem melhor com vinhos tintos e as sobremesas, na falta de vinhos de sobremesa ou vinhos do porto, vão bem com espumante moscatel.
No restaurante, as coisas funcionam mais ou menos assim: você pede a carta de vinhos e escolhe o vinho que mais lhe agradar, lembrando sempre que não é pecado pedir ajuda se for um iniciante.
Escolhido o vinho, o garçom trará a garrafa fechada e mostrará a você o rotulo para confirmar se o quê está servindo é o vinho que você solicitou.
Confirmada a escolha, ele deve abrir a garrafa na sua frente e lhe entregar a rolha. Eu sei que há inúmeros manuais que mandam cheirar a rolha à procura de defeitos no odor, mas quer saber a verdade, isso é tarefa para gente muito experiente. Pule esse passo e lembre apenas do seguinte: a única coisa que pode ser observada por um iniciante é se a bebida invadiu muito a rolha, o que pode indicar que entrou ar na garrafa e causou oxidação do vinho.
Concluído esse passo, será servida uma pequena porção de vinho em um dos copos para degustação, normalmente para quem escolheu o vinho. Essa prova serve para decidir se o vinho esta próprio ou não para consumo. Depois de servido, gire a taça com cuidado para sentir melhor os odores e depois prove fazendo o vinho passear suave e demoradamente pela sua língua. Lembre que recusar um vinho só se justifica se ele estiver estragado (odor e paladar alterados) e jamais por não ter agradado o seu paladar.
Após sua aceitação, o garçom servirá os demais integrantes da mesa começando sempre pelas mulheres. A quantia certa a ser servida varia entre um terço a metade da taça, nunca mais do que isso.
Convém ainda lembrar o seguinte, vinhos tintos que passam por barricas de carvalho precisam respirar depois de abertos e isso muda radicalmente o prazer de degustá-los. Numa janta entre amigos, enquanto se bebe o branco ou o espumante, já convém abrir o tinto de guarda. Não se recomenda colocar no balde com gelo vinhos tintos pois a baixa da temperatura prejudica sua apreciação, já para os espumantes isso é obrigatório e para os brancos dependerá do vinho e da temperatura exterior.
No mais, boa apreciação e lembre sempre que a vida é muito curta para se tomar vinhos ruins!


Marcos Frank

Comentários

VEJA TAMBÉM...