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Com a faca e o queijo

Lasier Martins Senador (Podemos-RS)


- Reprodução/facebook

Trazido ao Rio Grande do Sul pelos portugueses em 1750, o queijo caiu no gosto dos gaúchos a partir da chegada dos imigrantes italianos. Em 1912, foi fundada a Latteria Santa Chiara, hoje Cooperativa Santa Clara, a primeira do Brasil. A partir de então, variedade e qualidade foram acrescentadas ao produto conforme crescia a produção de leite e diversificavam as regiões que criavam gado leiteiro.

Ciente da importância da produção do queijo tido como artesanal ou tradicional, pude dar minha contribuição ao propósito de alavancar e aprimorar o mercado deste produto que se tornou importante na mesa do consumidor. A pedido do deputado Alceu Moreira (MDB-RS), me tornei o relator do Projeto de Lei Complementar 122/2018 na Comissão de Agricultura (CRA) do Senado, que teve parecer aprovado há poucos dias. A proposta define regras para a produção e comercialização de queijos artesanais, reduzindo a burocracia para que o produtor rural possa vender nos mercados interno e externo, uma vez que atenda às exigências legais.

O texto do projeto considera artesanal o queijo elaborado a partir de métodos tradicionais e com leite da própria fazenda, não pasteurizado. No caso de assentamentos familiares, a matéria-prima pode vir de produtores localizados até cinco quilômetros da queijaria. Não será considerado artesanal o queijo elaborado em indústrias de laticínios, mesmo que o poder público autorize o uso das expressões "artesanal" ou "tradicional" no rótulo do produto.

De acordo com a proposta que aprovamos na CRA, e que está com pedido de urgência para votação em plenário, o queijeiro artesanal deve preservar a cultura regional na elaboração do alimento, empregar técnicas tradicionais e observar um protocolo específico para cada tipo e variedade. O produtor também fica responsável pela identidade, qualidade e segurança sanitária do queijo, a partir de regulamentação do governo federal, como rotulagem, acondicionamento e transporte do produto. E em conjunto com estados e municípios, a União deve criar uma plataforma eletrônica para cadastrar os produtores licenciados.

Acredito que este projeto, uma vez sancionado, garantirá renda a milhares de pequenos produtores, que poderão ainda agregar valor ao queijo artesanal, uma vez certificado e com rígido controle. Basta lembrar que o projeto exige que as queijarias sejam certificadas e trabalhem com animais livres de doenças.
Com a implantação de um programa de boas práticas agropecuárias e o rastreamento do queijo artesanal, atende-se as exigências do consumidor e dos órgãos sanitários, mas, sobretudo, valoriza-se o bom produtor. Enfim, uma iniciativa que só tem ganhadores.

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