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Comida no lixo, um crime

Gilberto Jasper Jornalista


Cada brasileiro joga fora pelo menos 40 quilos de comida por ano. O dado resulta de estudo elaborado pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) com apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), órgão ligado à ONU para o combate à fome. É uma informação estarrecedora, mas basta olhar a nossa volta para constatar que é resultado de uma rotina que a maioria das pessoas cumpre sem dar-se conta de seu significado.

Almoço todos os dias _ e às vezes no final de semana _ fora de casa. Geralmente escolho o tipo bufê, onde é preciso muito controle diante desta verdadeira "Disneylândia gastronômica", tamanha variedade de opções. Muitas vezes esta diversidade de alternativas leva ao excesso, com pratos que parecem uma barricada.

Alguns restaurantes ostentam placas de advertência para o consumo responsável. Outros até estipulam uma espécie de taxa caso o cliente deixe alguma comida remanescente. Confesso, porém, que nunca vi alguém ser flagrado e taxado.

Diante deste problema tão corriqueiro se constata que a origem é igual a tantos outros problemas que afligem o Brasil: o descaso com a educação. Professores lutam com extremas dificuldades para controlar turmas muitas vezes compostas por crianças e adolescentes sem orientação familiar.

O consumismo é um fator onipresente nas relações modernas. Existe um estímulo inédito, embora a publicidade seja tão velha quando a leitura dos 10 mandatos por parte de Moisés. O mais grave é a falta de comprometimento de quem deveria dar o exemplo, cobrar e exigir equilíbrio e bom senso.

A ansiedade, estimulada pelo vício da permanência nas redes sociais através do uso de smartphones é um estímulo a mais. Como revelei acima, almoço em restaurantes durante a semana, o que permite um laboratório sobre o comportamento humano.

É raro flagrar alguém almoçando sem ter o celular ao lado do prato. Entre uma mastigada e outra a consulta ao telefone é frenética. Dizem os especialistas que a ansiedade é um dos estimulantes da ingestão descontrolada de comida. Em Porto Alegre existe uma lei que impede a doação de alimentos não consumidos para creches, asilos e outras instituições beneficentes. O argumento são os riscos de contaminação através do depósito e embalagem dos alimentos, o que é lamentável.

Milhões de brasileiros sobrevivem com apenas uma refeição por dia, resultado da miséria, do desemprego e de uma série de motivos conhecidos. O desperdício é fruto da desvalorização da educação. É um investimento bem mais barato que o custo de todo o sistema de bolsa família e de outros programas sociais.

 


Gilberto Jasper

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