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Decisões do passado

O que Tarso Genro fez na época? Criou a EGR, uma das piores estatais jamais criada por algum governante gaúcho em todos os tempos.


"Aquele que não prevê as coisas longínquas expõe-se a desgraças próximas." Confucio, sábio chinês

"Caiu como uma bomba entre os gaúchos o anúncio feito pelo consórcio Univias, que congrega as concessionárias Convias, Sulvias e Metrovias e administra mais de mil quilômetros de estradas em três polos. Disseram eles que podem reduzir tarifas, excluir e deslocar praças de pedágio ainda investir cerca de R$ 1 bilhão. Tudo é claro em troca da manutenção da concessão das estradas até 2024". Público ou Privado (19/11/2011)

O que Tarso Genro fez na época? Criou a EGR, uma das piores estatais jamais criada por algum governante gaúcho em todos os tempos. Em troca de baixar os preços tivemos um rebaixamento na qualidade das estradas e dos serviços. Seis anos depois, o governo Sartori, com os cofres raspados sugere privatizar a EGR...
Vai melhorar? Possivelmente pois parece inimaginável pensar em coisa pior. No entanto no mesmo texto já se alertava para a responsabilidade fiscalizatória do Estado:

"... Mas nada disso vai adiantar se o Estado não exercer o seu papel de regulador e cobrar com firmeza o cumprimento dos contratos e das metas estabelecidas. Empresas privadas não são a salvação da lavoura. Se forem deixadas livres e sem regulação do poder público, ainda mais em regime de monopólio, acabam por se tornar caras e ineficientes."
Em 12/6/2012 com o apoio de 32 deputados o RS ganhava mais uma estatal. Duas semanas antes publiquei a crônica "Ironias":

"A diferença entre os neoliberais e os socialistas na questão dos pedágios? Os dois cobram, só que um entrega a cobrança para os empresários e o outro para os companheiros. Fora Empresa Gaúcha de Rodovias. Já temos cabides de emprego suficientes."

Na época já se suspeitava das ligações tenebrosas entre empreiteiros de obras públicas e governantes. Fato hoje de conhecimento publico e já com condenações pela justiça. Na mesma crônica já se alertava para isso:

"E o financiamento público de campanhas já começou! Andrade Gutierrez (aquela do pito da presidenta) e recheada de obras públicas doou R$ 4,7 milhões ao PT. Já a JBS que tem o BNDES como sócio doou só R$ 2,9 milhões. Nada mais parecido com a direita que a esquerda no poder."

Na ocasião falei de financiamento publico de campanhas como uma ironia, já que o que realmente ocorria era que as empresas "devolviam" aos partidos políticos parte do dinheiro ganho nas obras públicas. Pois não é que após ser descoberto o esquema bilionário, nossos políticos acharam um jeitinho para não secar as torneiras que abastecem suas contas e campanhas e aprovaram na ultima quarta feira o "Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Tal fundo prevê já para o próximo ano um desembolso publico de R$ 1,7 bilhão que será distribuído da seguinte forma: 2% divididos igualitariamente entre todos os partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE); 49% divididos entre os partidos de acordo com a proporção de votos obtidos na última eleição para a Câmara; 34% divididos entre os partidos na proporção de representantes na Câmara; e 15% divididos entre os partidos na proporção de representantes no Senado.

Mesmo com todo esse panorama, pesquisas recentes mostram que o ex-presidente Lula lidera todas as pesquisas. Surpresos? Não esse escriba que já alertava em 23/6/2012 em " É a economia, estupido":

"Como sabemos que mentiras, roubos e corrupção não são razão para perda de eleições no Brasil, é de se perguntar se um fracasso econômico seria capaz de alterar o atual panorama político."

O Brasil realmente não é um país para amadores...


Marcos Frank

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