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Dinheiro é a principal causa de estresse dos brasileiros

Francisco Roque Teloeken, Educador Financeiro

Créditos: Francisco Roque Teloeken

"Quem acredita que o dinheiro fará qualquer coisa por ele, provavelmente fará qualquer coisa por dinheiro" _ Benjamin Franklin

Atualmente, é quase impossível imaginar-se em uma sociedade onde não exista dinheiro. Mas, nem sempre foi assim. Quando não existia dinheiro, as pessoas trocavam mercadorias e serviços entre elas. É o que se chama de escambo.

Um criador de ovelhas, por exemplo, ia para o mercado para conseguir cereais. Então ele propunha trocar ovelhas por uma quantidade de trigo. É fácil perceber que vários problemas se criavam: como estabelecer os valores de troca, quer dizer, uma ovelha valia quantos quilos de trigo? Como efetuar as trocas? Se o produtor de trigo não queria trocar por ovelhas, como ficava a situação do criador? Assim, apesar de solucionar eventualmente algum problema, a operação de escambo possui deficiências, sendo que a principal delas é que se não houver coincidência de interesses, não haverá transação.

As dificuldades e ineficiências do escambo pressionaram a civilização a buscar outras maneiras de transacionar bens e serviços. Surge, então, o dinheiro, sob as mais diversas formas: pedras, conchas, animais, peles, tabaco, arroz, chá, bronze, cobre, prata, ouro. Na China, apareceu a primeira cunhagem de moedas, no século VII A.C.

As moedas de metal passaram a ser usadas amplamente, porque apresentavam diversas vantagens, como serem duráveis, fáceis de transportar, padronizadas e serem divisíveis, permitindo a aquisição de bens de grande ou pequeno valor.

Como nem tudo é perfeito, apareceram outros problemas, principalmente no caso de transações comerciais de maior valor, como o transporte, pesagem e pureza das moedas, e segurança das operações. Daí, evoluiu-se para o papel-moeda, cujas primeiras impressões com blocos de madeira foram feitas também na China, no século XII. Mas, somente no século XIX as cédulas começaram a ser utilizadas de maneira universal e permanente. Hoje, o dinheiro pode ser uma cédula, um moeda, um clique de terminal eletrônico, computador, um celular.

Apesar de ser uma ferramenta tão simples e importante em nossa vida, não deixa de ser fascinante pensarmos que uma simples e sábia invenção humana acabe por se transformar em algo extremamente complexo e de importância capital, capaz de mobilizar todas as emoções humanas, sendo que as principais são o orgulho, a raiva, o medo, a vergonha e a culpa. Conversar sobre dinheiro ainda é tabu, inclusive nos ambientes mais íntimos, envolvendo casais, filhos, pais.

Além de muitas questões relacionadas com o dinheiro - se nos deixa mais felizes, se resolve nossos problemas financeiros, por que nunca chega, por que estamos sempre sem dinheiro, etc. - recente pesquisa anual "Global Investor Pulse", elaborada pela BlackRock em vários países, inclusive no Brasil, revelou que o dinheiro é a principal causa de estresse dos brasileiros, com 58% das respostas, seguido bem de perto pelo trabalho (57%) e com a família em terceiro lugar (35%).

Em tempos de discussões e tramitação da Reforma da Previdência, o estudo também indicou que a preparação para a aposentadoria continua sendo um motivo de preocupação, ainda que a população não tenha feito a sua parte. Prova disso é que o foco maior é em metas de curto prazo.

O dinheiro não pode ter o poder de controlar nossa vida; pior, ser a principal causa de estresse. É por isso que a OCDE _ Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico incentiva a introdução da educação financeira entre os países membros com o objetivo de ajudar as pessoas a estabelecerem uma relação mais saudável com o dinheiro. Há quem diga que damos valor exagerado ao dinheiro. Entretanto, não dar valor ao dinheiro pode criar inúmeros problemas porque, como diz o ditado, "o dinheiro não aceita desaforo".

 

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