Colunistas

Esta gurizada!

Nara T. Knaack escritora e professora


A caminho de casa, dias desses, encontrei um grupo de alunos da escola que fica no meu bairro. Os meninos eram os primeiros e falavam de joguinhos; depois passaram alguns sem muito alarde, mas, no final daquela turma de pré-adolescentes, estavam três meninas e uma delas gritava, mas nada de estridente. Era mais parecido com urros. Olhei, e a uma delas disse: "Desculpe, tia, ela é louca mesmo! " A gurizada hoje em dia está dizendo porque está aqui.

Sabe-se Deus qual era a razão de tantos gritos! Seria frescura, medo, uma raiva guardada, ou um gostar não correspondido? Com certeza eles não têm papas na língua. Isto que mal estão "saindo dos cueiros", como diziam os mais antigos.

Amigo leitor, os tempos mudaram tanto que nos surpreendemos a cada dia. Parece que as crianças nascem com chip cada vez mais potente -como se isso fosse possível-, pois são capazes de fazer ou dizer coisas que nos deixam de boca aberta.

Dizem que sou avó coruja. Mas como não ser com essas pessoinhas incríveis que circulam em nossos espaços e moram em nossos corações? Às vezes dá vontade de dar uns amassos, de tanta doçura existente! A minha netinha está com um ano e um mês, entende tudo, só não fala, mas já arrisca algumas sílabas. Sabe que precisa passar o dedo no celular para este funcionar. Conhece o que é computador e para que serve e dá um largo sorriso, quando aparece a galinha pintadinha.

O controle da TV não escapa, pois ela o faz de telefone. Os netos mais velhos sabem tudo de internet, e o João Pedro, de oito anos, sabe tudo de joguinhos. Dia desses ele estava tentando me explicar como funcionava um joguinho. Na conversa, perguntou: "Entendeu, vó? " Respondi que sim, mas não tinha entendido nada. Eis que ele diz: "Ah! Esqueci que tu não sabe, porque já é velhinha! " Pode? Responder o que depois disto?

Amigo leitor, nossa gurizada está cada vez mais ligada! Dão risada da gente quando falamos alguma de nossas gírias e reparam na quantidade de "risquinhos" que temos no rosto. Sobre isto até a gente se assusta, quando temos tempo de nos olhar melhor no espelho. E pensar que um dia fomos assim! E lembro de algumas coisas que hoje recordo com saudades... Mas não posso condená-los, pois não tínhamos o tanto de informações que hoje eles possuem. Tudo parece mais fácil. Contudo, pensando melhor, cada um viveu e vive seu momento. Então, o que nos resta é contar nossas histórias e conviver, dentro das nossas possibilidades, com este mundo virtual, que para eles é "super fácil"!

Paz e bem.
Homenageio, hoje, a leitora Liane Shossler. Um abraço a toda essa gurizada cheia de vida!

 


Nara Knaack

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