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Eu já amei o futebol

Guilherme Rossini - Jornalista Esportivo [email protected]


O futebol está chato. Isso você já ouviu, disse e bradou, garanto. E o pior de tudo é ver, ano após ano, ficar cada vez pior. Seja pela falta de liberdade e qualidade dos atletas, soberba de treinadores ou incapacidade de dirigentes, esse jogo que nós já amamos parece não existir mais.
Nos últimos dias, fui taxado de Colorado. Há um certo tempo, comentários nas redes sociais falavam que eu fazia parte da imprensa "azul e satanista". Eu também já amei o futebol. Como você, eu já tive um ídolo, que fazia questão de imitar quando era criança. Na época, meu herói jogava com a camisa 7, tinha pés pequenos, como os meus (calço 38), e batia na bola como ninguém.
Para vocês entenderem, eu não venho de família abastada, muito pelo contrário. Minha mãe sempre trabalhou como cozinheira ou em casa de família, como empregada (agora se diz diarista, eu acho). Foi assim que, no meu aniversário em 1999 (se não me engano), a "patroa" dela, comprou para mim, de presente, um conjunto completo daquele que era meu ídolo. Ela parecia saber. Me lembro de receber aquele fardamento, com o número 7 nas costas, e o escudo no peito. O vesti prontamente naquela tarde chuvosa de domingo. E como chovia. Eu não poderia exibi-lo na rua, mas isso não foi problema. Naquela tarde, o programa "Gol, o Grande Momento do Futebol", apresentava uma edição especial, com gols dele, o meu craque. Talvez esse tenha sido meu êxtase com o futebol até os meus 27 anos vividos até o momento. Eu ainda paro e penso que aquilo sim que era futebol.

O melhor futebol do Brasil

Como eu disse e você já disse, o futebol está chato. Times jogando defensivamente, jogadores ruins, principalmente no futebol brasileiro. O próprio técnico da Seleção Brasileira mais fala do que faz e não permite que os atletas pratiquem o tal "futebol arte".
Mas, em 2019, o futebol gaúcho vive o fenômeno da dupla Gre-Nal como melhores equipes da Copa do Brasil e Copa Libertadores da América até o momento. No entanto, se fosse uma luta, estariam vencendo por pontos, e não por serem explicitamente melhores que os adversários. Por isso, ouvir o técnico Renato Portaluppi dizer, semana após semana, que seu time joga o tal "melhore mais bonito futebol do Brasil", é uma afronta para quem gosta do jogo.
O Grêmio, sim, tem um jogador que dá gosto de ver, como o meu craque da camisa 7. Everton Cebolinha é um pouco do que ainda restou no Brasil de atletas que realmente tem um talento diferenciado. Se ficar no Brasil, quem sabe, Cebolinha pode ser o novo ídolo da criançada.


Guilherme Rossini

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