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Filhos, uma via de mão dupla

Uma revolução está em curso. E dentro da minha própria casa


Uma revolução está em curso. E dentro da minha própria casa.

Minha mulher e o casal de filhos adultos trocam receitas, cochicham pelos cantos da casa. A sucessão de fatos estranhos teve início com a criação de uma bem cuidada mini-horta, acomodada num anexo externo do apartamento. Ali desabrocham temperos, verduras, legumes e até vistosos morangos de um rubro vibrante. Uma beleza sem igual!

Ao mesmo tempo, o liquidificador não para. Processa frutas, iguarias diferenciadas, além de um sem número de ingredientes que espalham aromas de saúde pela casa a qualquer hora. À noite a Laura ou o Henrique se exilam na cozinha. Ali não querem ser incomodados. Minutos depois desfilam pratos saudáveis, lindos e saborosos cujos odores enchem os vizinhos de inveja e despeito.
Confesso que me tenho distante deste rumorosa rotina caseira. É duro, mas preciso reconhecer que cultivo péssimos hábitos alimentares. Meus descendentes se alimentam apenas - e somente - de carne, tamanha preferência que cultivo.

Este vício inclui tudo que diz respeito à carne, como embutidos - principalmente o perseguido salamito. Sim... para minha dor de consciência ouço tratar-se de uma bomba de sódio (com excesso de sal. Não bastasse, a gostosura é bombardeada por conter gordura, conservantes e corantes acima do aceitável.

Também devoro sem piedade pão branco, de preferência cacetinhos que uso para preparar as tradicionais torradas do domingo à noite que levam ao menos três fatias de queijo (branco) e generosas rodelas de... salamito. Não resisto a massas e tudo que diga respeito a batata, em homenagem à linhagem germânica.

Felizmente, a gurizada lá de casa enveredou por uma alimentação mais saudável. Trocam informações sobre os efeitos de cada alimento, seus benefícios ou prejuízos à saúde. Experimentam novidades sem preconceitos ou resistências, são honestos em seus julgamentos, sem vergonha de dizer "não gostei".

Aprender com os filhos é um exercício diário de humildade para admitir que pertenço a uma geração pouco ligada nos preceitos de hábitos benéficos ao bem-estar. Esta convivência é uma via de mão dupla porque muitas vezes, do alto da nossa experiência, conseguimos evitar prejuízos à gurizada.

Ao falar com futuros pais e mães costumo repetir que cada minuto investido representa um benefício incalculável num futuro breve. Na adolescência, onde o bombardeio de hormônios e tentações provoca turbulências no dia a dia.

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