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Mercado, confiança e reformas

João Fernandes Economista da Quantitas Gestão de Recursos


Para aqueles acostumados com o universo dos investimentos, o ano de 2019 já será lembrado como aquele em que os mercados alcançaram alguns marcos históricos. O mais evidente e destacado na mídia é o dos 100.000 pontos do Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro. Não significa pouca coisa: desde sua mínima em janeiro de 2016, quando o Ibovespa ficou abaixo de 40.000 pontos, isso representa um retorno de mais de 170%.

Mas é apenas o mercado de ações que reflete este processo de "vai Brasil"? Certamente não. Analisemos outro mercado, de importância muito maior para nossa economia: o que diz respeito às taxas de juros. Em janeiro de 2016, para o governo brasileiro conseguir um empréstimo com pagamento em 5 anos ele precisava pagar uma taxa de 16% a 17% a.a. Atualmente, o mesmo empréstimo, com mesmo prazo, custa apenas 7,00% a.a. Isso vale apenas para o governo? Certamente não. As taxas cobradas em todo país são influenciadas diretamente pela taxa de juros paga pelo governo. Isso significa que as empresas e consumidores também passaram a ter acesso, em média, a empréstimos a uma taxa quase 10 p.p. mais barata.

Cabe uma pergunta: como explicar esta exuberância dos mercados frente aos problemas atuais da economia brasileira? Afinal, 2019 fechará o terceiro ano consecutivo de crescimento baixo do PIB, a taxa de desemprego continua em níveis elevados e a dívida pública do governo segue subindo. Não é um desenho positivo. Porém, aí entra um aspecto fundamental dos mercados: o preço de um ativo financeiro não reflete apenas o comportamento corrente da economia, mas também as expectativas de desempenho futuro. Ou seja, a palavra fundamental para entender as altas e quedas das ações e das taxas de juros é esta: confiança.

Se os indivíduos passam a ter confiança de que o futuro trará elementos como crescimento e controle da dívida pública, então eles apostarão nisso hoje. Isso significa comprar ações e oferecer empréstimos a juros mais baixos, impulsionando uma valorização corrente destas variáveis, por conta da expectativa de melhor desempenho futuro da economia.

Ora, da onde vem esta confiança então? Que eventos estão ocorrendo desde 2016 para justificá-la? Novamente, a resposta se encontra em uma palavra: reformas. Isso porque os problemas do Brasil são estruturais, e não conjunturais, ou seja, sua solução é reformar o modo como a economia funciona, tornando-a mais sustentável e competitiva. E não foram poucas: tivemos a emenda do teto dos gastos em 2016 (PEC 241/55), a Reforma

Trabalhista em 2017 e teremos a Reforma da Previdência em 2019. Três grandes reformas, as quais ajudam a entender a valorização dos mercados e retomada da confiança nos últimos anos, e que desenham perspectivas mais positivas para o futuro.

A melhor parte desta história: as reformas não devem parar por aí. A próxima da lista é a reforma tributária, que vai simplificar a forma como empresas e consumidores pagam tributos no Brasil. Há razões para crer que a melhora da confiança não terminou.

* as opiniões do autor refletem uma visão pessoal e não necessariamente da instituição Quantitas Gestão de Recursos


João Fernandes

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