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Monólogo

É engraçado andar pelas ruas e ver pessoas conversando sozinhas


É engraçado andar pelas ruas e ver pessoas conversando sozinhas. Nestas "pessoas" eu me incluo.

Dia deste, andando pelas calçadas da Rua Júlio de Castilhos, assisti uma cena de um legítimo monólogo. A pessoa estava andando e olhou uma das vitrines e foi argumentando, quem sabe o preço, a cor da roupa ou o modelo- andou um bom pedaço conversando consigo mesma.

Amigo leitor, sabemos que fazemos isto diariamente, mas é engraçado ver os outros numa situação destas. Enquanto nós estamos fazendo o mesmo, dentro de casa, achamos tudo muito normal. Pensamos alto toda hora, mantemos diálogos intermináveis conosco mesmo. Às vezes, travamos sérias discussões em frente ao espelho. Pior que ele não mente, ele mostra realmente a nossa realidade, as marcas que o tempo está deixando em cada um de nós.

Tenho muita preocupação com o amanhã, pois se hoje já conversamos sozinhos, imagina daqui mais algum tempo. Ai meu Deus! Dá um medo! Sei que assumimos nossas limitações. Sabemos que não temos mais a mesma agilidade, a mesma resistência, mas... seguimos em frente, caminhando pelas estradas da vida.

Deve ser muito interessante para quem acompanha as câmeras dentro das lojas, mercados... Além de flagrarem alguns pequenos ou grandes infratores, devem assistir a verdadeiros diálogos solitários, reclamando do preço, da qualidade dos produtos. Penso que a situação piora, quando estamos nervosos. Daí sim, falamos alto, reclamamos, o "tico e o teco" enfrentam verdadeiras guerras contra tudo e todos. Ah, se as paredes tivessem ouvidos! Seríamos chamados de loucos e aumentaríamos as preocupações dos nossos filhos. Pois hoje, no mínimo deslize, eles dizem: "Mãããããããããããããeeeeeeeeeee!!!!!!!! Pior que as coisas da idade, vão aparecendo dia após dia.

Caro leitor, o ator Paulo Autran marcou muito com seu monólogo "As mãos de Eurídice", ao qual assisti, no Cine Alvorada, há muitos e muitos anos atrás. Assim como esse grande ator, nós, hoje, também somos verdadeiros atores da vida real. Recitamos frases soltas, reclamações, diálogos solitários, mas, ao mesmo tempo, somos seres que, buscam nestas guerras íntimas o melhor para nossos dias. Falamos sozinhos não porque somos "loucos" e sim, porque somos bons companheiros de nós mesmos. Se não fosse assim, a vida seria mais difícil. Então, vamos seguir em frente, fazendo nossos monólogos, e quem sabe assim, descobrimos o real sentido da vida.

Paz e bem.
Homenageio hoje a amiga e ex-colega Lidoni Toigo, aniversariante de quarta-feira, dia 16; minha prima Sheila Araújo, dia 17; minha querida afilhada, Danúsia Corbellini, dia 18; o sempre amigo Joarez Catto, dia 19. A todos meu abraço fraterno.

 


Nara Knaack

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