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O Brasil e o mundo

João Fernandes, economista da Quantitas Gestão de Recursos


Este espaço vem sendo dedicado para tratar de temas relevantes referentes à economia brasileira: desajuste fiscal, previdência, reformas, mercados... Contudo, já é hora de frisar um aspecto muito importante do nosso país: nós não nos movemos sozinhos.

A despeito de ser uma das maiores economias do mundo, o Brasil ainda é um peixe pequeno nos mares globais. Blocos de países como Estados Unidos, Europa, China e Japão são os responsáveis pelos grandes movimentos econômicos globais, os quais em geral explicam bastante do que ocorre em economias menores e/ou menos desenvolvidas, que incluem países como Brasil, Chile, México, Argentina, África do Sul, Turquia, dentre outros.
Se quisermos entender o que ocorre aqui dentro, temos que nos manter atentos ao que ocorre lá fora. Assim, encontraremos explicações importantes para muitos dos movimentos econômicos locais. E o que está acontecendo?

Em primeiro lugar: o mundo está crescendo menos. Após um período de recuperação da crise financeira internacional de 2008, os últimos anos vêm observando taxas cada vez menores de crescimento do PIB global. Podemos levantar três elementos que ajudam a entender esta dinâmica. (1) Diminuição por parte dos EUA de estímulos econômicos que objetivavam enfrentar os efeitos da referida crise. (2) Desaceleração da China por conta de não haver mais espaço para esta seguir crescendo via investimentos (praticamente toda infraestrutura que ela objetivava criar já está pronta). (3) Ainda elevados desequilíbrios das contas públicas dos governos europeus, que vale lembrar, passaram por uma crise aguda em 2011.

Se o mundo cresce menos, o que isso significa para o Brasil? Significa menos países demandando nossas exportações e menos investidores estrangeiros dispostos a colocar seu capital em nosso país. Num contexto de cadeias globais produtivas, comerciais e de capitais altamente integradas, isso significa que empresas brasileiras perdem dinamismo, prejudicando também a geração de emprego e renda.

Não obstante, o lado positivo desta história é que os formuladores de política econômica das grandes economias estão reagindo a este cenário desafiador. Nos EUA, o Banco Central sinalizou que a taxa de juros deve cair, provavelmente já no final de julho, com o objetivo de baratear o crédito e incentivar o consumo e investimento. Na Europa, a tendência é análoga: se espera que a nova presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, retome a política de estímulos. Por fim, na China, o governo já há algum tempo se mobiliza para estimular o consumo da população, de modo a contornar a desaceleração do investimento.

Para o Brasil, estes são sinais positivos. Assim como a desaceleração do crescimento global nos prejudicou, sua reversão e retomada, a partir de novos estímulos, teriam um impacto direto na nossa recuperação. Isso servirá de combustível adicional para os efeitos positivos que as reformas que estamos realizando internamente terão sobre a produção, comércio e emprego.

* as opiniões do autor refletem uma visão pessoal e não necessariamente da instituição Quantitas Gestão de Recursos


João Fernandes

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