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O fim do Brasil

Afinal se continuar tudo assim, a única coisa organizada no Brasil será o crime!


" As autoridades dizem a toda hora que estão profundamente preocupadas com o aumento do crime organizado. Por quê? Preferem o crime esculhambado?" Millôr Fernandes
Cada vez fica mais clara a falência moral e financeira do poder executivo a nível federal. Para quem ainda não percebeu, depois da sua morte ética é apenas questão de tempo para Brasília começar a parcelar salários como já fazem alguns estados entre eles tristemente o nosso.

Não muito distante do Palácio do Planalto sem depender e tampouco se importar com a arrecadação, não quer dizer que o poder legislativo esteja em situação moral melhor. Dia após dia assistimos nossos deputados e senadores oscilar entre o patético e o criminoso.

Se esses dois poderes faliram poderíamos nos julgar ainda escorados no único que restou. Mas agora que os olhos e as esperanças da população se voltam para o poder judiciário começamos a perceber que nossas esperanças talvez sejam vãs...

Boa parte da elite do nosso funcionalismo público está no judiciário. Bons salários, férias, vantagens e para alguns até flexibilidade nas horas de trabalho fizeram desses cargos objeto de desejo de nossa juventude. Não é uma carreira fácil de entrar, mas considerando-se a situação salarial do resto do país compensa.

Mas por outro lado também os afastou da realidade da maioria da população brasileira que cada vez mais os percebe como injustamente privilegiados. Para tal percepção certamente não ajudou a postura recente do juiz Mirko Vincenzo Giannotte, titular da 6ª Vara de Sinop, que disse não estar "nem aí" para a reação popular após levar mais de R$ 500 mil para casa.
Da mesma forma depõe contra a seriedade da maior parte desses funcionários públicos a postura do órgão supremo da justiça brasileira.

É cada vez mais claro que os maus costumes da cúpula do Executivo e do legislativo parecem ter chegado também ao STF, no momento especialmente pelas atitudes do ministro Gilmar Mendes, mas outros como Lewandowski e Dias Toffoli já tiveram seus momentos de (in)glória.

Não bastasse tudo isso há ainda uma atrapalhação nas delações premiadas e uma sequencia de vazamentos que podem por em risco uma das únicas armas que efetivamente tem funcionado para depurar e expor as entranhas do país.

Somados, os três poderes não foram capazes de construir presídios, de armar e equipar as forças policiais, de construir um arcabouço legal que intimide o crime organizado e nem de julgar e prender celeremente os criminosos.

E é por isso que a população desarmada se assusta e se revolta. E espero sinceramente que essa população não se decepcione com o judiciário como se decepcionou com os outros poderes, embora os sinais de cansaço e desilusão sejam já visíveis.

Afinal se continuar tudo assim, a única coisa organizada no Brasil será o crime!

 

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