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O que a Monalysa negra e a professora agredida nos dizem sobre o Brasil contemporâneo?

Dois temas mobilizam as redes sociais desde a semana passada. O primeiro deles é o caso da eleição de Monalysa Alcantara como Miss Brasil 2017, o segundo foi o caso da agressão feita à professora por um jovem


Dois temas mobilizam as redes sociais desde a semana passada. O primeiro deles é o caso da eleição de Monalysa Alcantara como Miss Brasil 2017, o segundo foi o caso da agressão feita à professora Márcia Friggi por um jovem de 15 anos em Santa Catarina. No primeiro, caso houve diversas manifestações racistas nas redes sociais, até aí nada de novo, sabe-se hoje em dia que o Brasil é um país racista, que os negros acumulam desvantagens no acesso ao trabalho, à educação, à moradia, e à saúde. O caso incomoda porque deixa evidente que quando chegam a posições de destaque em nossa sociedade, rapidamente os racistas frustrados mostram toda a sua indignação. Ocorre que existe um forte movimento de mudança e aqueles que expressam publicamente seu preconceito têm, cada vez mais, sido colocados em posição de isolamento face ao grande número de pessoas que não toleram mais tais posições racistas. Por outro lado, o fato demonstra que ainda existe um grande problema de falta de informação, bem como um trabalho educacional a ser feito para o combate ao racismo em nosso país. Dois temas mobilizam as redes sociais desde a semana passada. O primeiro deles é o caso da eleição de Monalysa Alcantara como Miss Brasil 2017, o segundo foi o caso da agressão feita à professora Márcia Friggi por um jovem de 15 anos em Santa Catarina. No primeiro, caso houve diversas manifestações racistas nas redes sociais, até aí nada de novo, sabe-se hoje em dia que o Brasil é um país racista, que os negros acumulam desvantagens no acesso ao trabalho, à educação, à moradia, e à saúde. O caso incomoda porque deixa evidente que quando chegam a posições de destaque em nossa sociedade, rapidamente os racistas frustrados mostram toda a sua indignação. Ocorre que existe um forte movimento de mudança e aqueles que expressam publicamente seu preconceito têm, cada vez mais, sido colocados em posição de isolamento face ao grande número de pessoas que não toleram mais tais posições racistas. Por outro lado, o fato demonstra que ainda existe um grande problema de falta de informação, bem como um trabalho educacional a ser feito para o combate ao racismo em nosso país. 

Ninguém nasce racista, o racismo é apreendido e compartilhado em grupos na sociedade, que por ignorância, ou falta de conhecimento, supõem que existem características morais e intelectuais que seriam associadas à cor da pele dos indivíduos. Tanto a antropologia quanto a genética tem demonstrado que as diferenças entre os diversos grupos humanos não possuem relevância em termos biológicos, mas que as desigualdades e desvantagens são socialmente produzidas.

O papel de uma educação anti-racista seria de descontruir os discursos baseados na ideia de "raça", mostrando que eles foram elaborados ao longo do tempo com o objetivo de dominação de um grupo sobre outros. Mas como falar em educação de qualidade no caso de um país onde professores são agredidos em sala de aula? Ou que instituições ditas de "ensino superior" utilizam na publicidade de seus cursos EAD a carreira de professor como "complemento de renda"...

Enquanto os governos não levarem a educação a sério continuaremos a sofrer as consequências sociais da ignorância em diversos níveis. Na falta de mecanismos de controle da política, na dilapidação dos direitos, no desmantelamento do Estado, nas privatizações no atacado, na corrupção generalizada, etc... Neste sentido, as políticas do atual governo encontram toda a sua coerência, o abandono da educação como prioridade constitui elemento central para o controle da população, se acaba primeiramente com o investimento na ciência, em seguida na formação universitária, se congelam os investimentos e saúde, educação e programas sociais e a passos largos vamos retrocendendo a um cenário próximo aos anos 80. Este projeto liberal e macabro, que está em curso no país, deixará marcas profundas para as próximas gerações. Neste contexto, as manifestações racistas, a violência contra a mulher, o desrespeito com a formação de professores, acabam sendo as alegorias de um cenário aterrador.

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