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Os 12 trabalhos de Bolsonaro

Créditos: Marcos Frank

"Aqui no Congresso tem de tudo. Tem ladrão, tem honesto, canalha, gente séria... Só não tem bobo."
Zezinho Bonifácio, ex-deputado

Passada a euforia da vitória, o ex-capitão terá de começar a lidar com o mundo real.
E Brasília não é fácil. Menos de 15 dias após a população dizer não ao petismo e à política tradicional, eis que um Senado, parte em final de carreira, resolve mandar um recado ao presidente eleito.
Foi como se gritassem "você pode muito, mas não pode tudo." E cravaram uma conta de seis bilhões de reais no governo que se inicia.
E não esperem por vetos. Muitos senadores em final de carreira e o próprio Temer, desempregado a partir de janeiro, terão contas a acertar com a Justiça. Logo, não convém angariar antipatias com a Suprema Corte.
Foi como tomar um gol ao primeiro minuto de jogo, mas nosso treinador respondeu escalando o temido Moro.
É a chance que o juiz tem de avançar um passo a mais no combate à corrupção e ajudar nos doze trabalhos de Bolsonaro:
1. Avançar na investigação de possível corrupção na cúpula do poder Judiciário.
2. A partir dos órgãos de controle financeiro e da delação de Palocci, descobrir que bancos e banqueiros participaram de operações de transferência de valores escusos e de corrupção.
3. Abrir a caixa-preta do BNDES e revelar ao Brasil os valores que foram "emprestados às nações amigas" e que empresas se beneficiaram disso.
4. Ampliar o número de ministros do STF de 11 para 21.
Mas antes Bolsonaro precisa ajustar as coisas no front interno:
5. Melhorar a comunicação do governo que se inicia acabando com a impressão que se generaliza de que o governo é desconexo e improvisado.
6. Cessar a estratégia de comunicação direta via redes sociais, cessar a demonização da política e buscar diálogo mais consistente com os líderes partidários.
Não bastasse isso, há as reformas que são urgentes e foram promessa de campanha:
7. A reforma da Previdência com o aumento dos tempos de serviço e idades para aposentadoria.
8. Reforma tributária, com simplificação e redução de impostos.
9. Privatização de estatais não estratégicas e venda de ativos inúteis da União. Das cerca de 150 estatais existentes no país, o ex-deputado defendeu privatizar ou extinguir um terço imediatamente e outro terço poderá ser privatizado.
10. Mudanças na segurança pública: fim do estatuto do desarmamento, redução da maioridade penal, fim da progressão de penas e das saídas temporárias.
11. Combate ao crime organizado
12. Estímulo ao empreendedorismo e ao livre mercado.


Marcos Frank

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