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Saudade dos Pachecos

Guilherme Rossini - Jornalista Esportivo [email protected]


Na última terça-feira (2), o Brasil venceu a Argentina por 2 a 0, conduzindo novamente Messi a mais um fracasso por sua seleção. Porém, antes da partida, surgiu uma grande quantidade de brasileiros torcendo para nossos "hermanos". "Messi é o maior da história" e "Messi é melhor que Pelé", são algumas das frases proferidas diariamente no Brasil, pasmem, por brasileiros. Messi não é e nem será melhor que Pelé nem aqui e nem na China. O nome disso é complexo de vira-lata. Que saudade dos Pachecos.

Na verdade, Pacheco é um só. Em 1982, antes da Copa do Mundo na Espanha, a Gillette lançou uma campanha apresentando um homem que torcia para o Brasil de forma incondicional. O nome desse personagem "de ficção" é Pacheco - Camisa 12, pois todo torcedor é considerado o 12º jogador de sua equipe.

Criado há mais de 35 anos, se estivesse entre nós nos dias de hoje, aquele homem de bigode, camisa e boné verde e amarelo, se revoltaria com geração atual de torcedores. Com jovens que falam "meu Barcelona" e "meu Real Madrid", venerando personagens de videogame e criticando, de forma infundada, a poderosíssima Seleção Brasileira, Pacheco achincalharia essa garotada.

O Pacheco do Século XXI

É ele mesmo, aquele que não ousarás criticar, ou criticará sem parar. A figura mais famosa e comparável ao Pacheco é o interminável Galvão Bueno que, narrando sem narrar os jogos, conta histórias, tornando o jogo mais que um jogo. Apesar de que, em sua versão mais atual, o narrador critica, ao vivo, quem bem entender pelos lados da Seleção Brasileira. Porém, a frase "ganhar é bom, mas da Argentina é melhor ainda", e o clima criado antes e durante cada partida por ele mostram todo seu lado Pacheco de ser.

Ganhar do Peru é obrigação

Nas redações da maioria dos jornais, quando um jornalista esportivo tem uma postura a lá Pacheco, venerando a Seleção do Brasil sem expor ou no mínimo citar seus defeitos de forma embasada, esse profissional é motivo de piada e bullying. Lembrando que, no caso do Galvão Bueno, ele é o Galvão Bueno e tem licença eterna para ser Pacheco.

No domingo, o Brasil enfrenta a Seleção do Peru, na final da 46ª Copa América. Com todo respeito à Paolo Guerrero e ao treinador Ricardo Gareca, é jogo para ganhar, golear e comemorar. Mas, se não ganhar e bem no Maracanã, domingo, Tite sofrerá a fúria desde Galvão Bueno, até o próprio Pacheco, que retornará e usará uma gilete para derrubar o treinador, que está por um fio.


Guilherme Rossini

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