Colunistas

Sérgio Reis


Anteontem, quarta-feira, faleceu Sérgio Luiz Puggina Reis. Grande amigo. Era professor na Univates desde 2013 e radialista (quase) desde sempre - sua primeira experiência no meio midiático foi aos 9 anos de idade. A história da televisão e do rádio no Rio Grande do Sul e no Brasil passam por esta figura.
O diploma de graduação em jornalismo ter vindo das suas para as minhas mãos na cerimônia de formatura em 2015 foi a menor coisa que recebi de Sérgio Reis. Não é que essa formalidade tenha significado nada para mim: a graduação foi dos maiores investimentos que fiz em minha vida e dos que mais obtive retorno. O caso é que recebi dele muito mais de outras formas.
Quando tinha já mais de 70 anos, iniciou o mestrado e pôde passar a dar aulas; durante algum tempo, vinha ao menos três vezes por semana para Lajeado - quatro horas de estrada para cada dia. Talvez isso o tenha lembrado de quando fez o caminho de Santiago de Compostela: aos 54 anos e sem experiência em caminhadas, fez o trajeto em 30 dias; e escreveu um livro sobre a experiência antes que virasse uma febre mundial.
Durante os cinco anos que o conheci, cada encontro foi marcado por conversas francas, risadas descompromissadas e seriedade em todo e qualquer assunto. Sua voz já um pouco embargada pela idade não atrapalhava a fala: tantos anos de locução moldaram sua articulação e cada palavra saía com a clareza de seu pensamento, a mesma clareza com que contava sua vida pessoal... sem exageros, sem vergonha.
Um redator em época de rádio-escuta, um jornalista em momento de censura ditatorial. Um cavalheiro em tempos modernos. Grato por tudo, "meu querido".


Tiago Segabinazzi

Comments

SEE ALSO ...