Colunistas

Sobre deuses, profetas e guerras


"Tantum religio potuit suadere malorum" Lucrécio(94-55 AC) A muitos erros a religião pode induzir.

Havia se passado 570 anos do nascimento daquele que os cristãos chamam o filho de Deus quando na cidade de Meca, nasceu Maomé. Filho de um pobre mercador, tornou-se órfão aos 6 anos e foi criado por seu avô e depois por um tio.

Maomé ganhava a vida pastoreando ovelhas, até que aos 25 anos passou a comandar a caravana de uma viúva, muito rica, de quem se tornaria esposo algum tempo depois.

Ele seguiu sendo um mercador, mas passava boa parte de seu dia meditando. O tempo passou e, aos 40 anos Maomé recebeu a visita do anjo Gabriel que ordenou que ele fosse pregar a verdadeira religião. Aos poucos sua fama como pregador foi aumentando o que não agradou muito seus conterrâneos, que primeiro não davam muita bola, mas depois incomodados fizeram com que Maomé fosse buscar refúgio em Medina. Tal fato ocorrido em 622 D.C marca o início do calendário islâmico.

Em Medina ele foi conduzido ao posto de juiz e mandatário da cidade e iniciou uma guerra contra os inimigos do Islã, até que em 630 D.C. Meca foi conquistada e uma nova religião nascia no árido solo da Arábia.

Em sua língua original, Islã significa submissão ao poder de Deus (Alá) e seus seguidores passaram a ser chamados de muçulmanos. Sua crença baseia-se na obediência das leis divinas, estampadas no Alcorão e que foram reveladas ao profeta Maomé. Elas devem ser seguidas por indivíduos, governos e sociedades. Há cinco deveres religiosos, que são chamados de pilares do Islã e que devem ser cumpridos.

O primeiro chama-se shahada e é a profissão de fé: "Há apenas um Deus e Maomé é seu profeta".

O salat é a reza formal e deve ser realizada cinco vezes ao dia com o crente voltado para Meca.

Zakat ou purificação são donativos (2.5%) da renda que devem ser dados aos pobres.

A quarta obrigação consiste no jejum durante o nono mês do calendário árabe (Ramadan).

Finalmente o último dos pilares chamado de hajj, consiste na peregrinação a Meca pelo menos uma vez na vida.

Maomé durou pouco após a conquista de Meca e em 632 faleceu na casa de sua esposa favorita, Aishah.Com a morte de Maomé ascendeu ao poder seu sogro Abu-Bakr, que ficou conhecido como primeiro califa. Foi justamente a morte precoce do fundador da nova religião que levou a uma divisão até hoje existente entre os muçulmanos. Os xiitas reconhecem a legitimidade apenas dos descendentes diretos (consanguíneos) do profeta. Os xiitas acreditam que os descendentes de Maomé sejam Imans e que o último teria desaparecido no século IX. Até que um novo Iman surja, os ayatollahs suprem seu papel.

Por sua vez os sunitas, que são maioria entre os muçulmanos, acreditam que a liderança religiosa deriva da prática dos ensinamentos do profeta, e não do parentesco.

Treze séculos se passaram desde que Maomé se foi e sunitas e xiitas continuam sem se entender, dessa vez na Síria.

 

(publicado originalmente em setembro 2013)

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