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Sobre o esquecimento

É assustador lidar com a consciência de que após alguns meses, anos, décadas ou séculos tudo que fomos, pensamos ou tivermos dito desaparecerá nas brumas do tempo.


"O esquecimento é mais sublime que o perdão."
Thomas Carlyle

Enfrentar a morte talvez não seja tão difícil quanto encarar o esquecimento.

É assustador lidar com a consciência de que após alguns meses, anos, décadas ou séculos tudo que fomos, pensamos ou tivermos dito desaparecerá nas brumas do tempo.

Quem não teve filhos tende a ser esquecido mais rápido. Quem os teve será ainda um fantasma a habitar alguns pensamentos e sentimentos enquanto perdurarem os filhos e com sorte os netos.

Os séculos são reservados apenas aos autores de grandes obras, de fabulosas descobertas e invenções ou então aos grandes assassinos da humanidade.

Em sua obra "O livro do Riso e do Esquecimento", o escritor Milan Kundera retrata o esforço do povo tcheco em esquecer ou não após a invasão russa... Esquecer o passado, esquecer o "velho" regime, esquecer os ideais, esquecer a juventude, esquecer amigos e parentes desaparecidos.

Nossa memória é enganadora, fugaz e capaz de se auto enganar constantemente. É por isso que precisamos de livros, jornais, fotografias e vídeos. Precisamos lembrar o que fizemos, como éramos, o quê acreditamos todo dia para (re)construir nossa identidade.

Se a nossa memória individual é tão sujeita a erros imagine então a nossa memória coletiva sempre sujeita aos humores da ideologia, dos interesses de grupos ou dos humores de um tirano ou outro.

Na União Soviética pós 1917, quando um politico caía em desgraça eram apagados todos seus registros e imagens públicas.

Quando o primeiro general americano finalmente viu um campo de concentração nazista sua ordem foi :

- "Documentem tudo, algum dia alguém dirá que isso nunca aconteceu..."

Outras vezes a insignificância é tão grande que o esquecimento ocorre quase ao natural. Vejam o caso de Dilma como exemplo. Treze meses se passaram desde que foi retirada do cargo mais importante do Brasil, mas devido ao efeito do esquecimento parecem muito mais.

O tempo e a história irão julgar a trajetória de Dilma, mas convém prestar atenção nesse momento importante da história brasileira em seu mentor.
Lula é um personagem muito forte da história recente do país e o quê antes parecia uma trajetória impar ao mundo todo, cada vez mais se nubla e parece criminal, inclusive com condenações em primeira instancia.

Mesmo assim Lula aparece em primeiro lugar nas pesquisas e enquanto luta para escapar das garras da justiça, esforça-se junto com seu partido para criar uma narrativa crível e que ajude a salvar sua memória.

Enquanto a maioria esquece, alguns se esforçam para reconstruir sua história (ou já será estória?).

 


Marcos Frank

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