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Por um pouco de tranquilidade

Lauro Baum Administrador em Agronegócio


Sou agricultor de profissão e de vocação. Vivo a agricultura. Acompanho e tento entender as mudanças que nas últimas décadas ocorreram neste setor e paralelamente em tantos outros. E desses tantos outros vejo grande evolução. Porém, angústia quando associo o que eram e no que se transformaram dezenas, centenas, enfim, um número inestimável de propriedades rurais, em especial onde a agricultura ocorria em regime familiar. E o sentimento acelera quando tentamos assimilar um ano, dois ou cinco à nossa frente. Constantemente a atenção é despertada com excelentes anúncios, porém, na prática, onde se deixa a estrada geral para entrar na propriedade, esse ambiente desconhecido por boa parte dos usuários de palanques, mostra a realidade de uma das profissões em pior estado de degradação do país. A veracidade é tamanha que dispensa entrar em detalhes de preços recebidos na comercialização dessa ou daquela atividade. Não que isso tire minha esperança por melhorias. Sou agricultor de profissão e de vocação. Vivo a agricultura.

Acompanho e tento entender as mudanças que nas últimas décadas ocorreram neste setor e paralelamente em tantos outros. E desses tantos outros vejo grande evolução. Porém, angústia quando associo o que eram e no que se transformaram dezenas, centenas, enfim, um número inestimável de propriedades rurais, em especial onde a agricultura ocorria em regime familiar. E o sentimento acelera quando tentamos assimilar um ano, dois ou cinco à nossa frente.

Constantemente a atenção é despertada com excelentes anúncios, porém, na prática, onde se deixa a estrada geral para entrar na propriedade, esse ambiente desconhecido por boa parte dos usuários de palanques, mostra a realidade de uma das profissões em pior estado de degradação do país. A veracidade é tamanha que dispensa entrar em detalhes de preços recebidos na comercialização dessa ou daquela atividade. Não que isso tire minha esperança por melhorias.

Nem tudo está perdido. Ainda. A sociedade de bem é insistentemente acuada, atentada e perseguida para a distorção, assaltos, roubos e todas as consequências imagináveis. As residências de qualquer padrão ou mesmo quando este permite um status a mais de orgulho, tem cada vez menos para ostentar porque há uma singularidade geral que são as grades e as cercas elétricas como cartão de visita, além do "olho mágico" que vigia diuturnamente as redondezas do perímetro. Aconteceu no ano de 2005 a violação da vontade da sociedade sobre o Referendo Popular que em ampla maioria havia optado pela comercialização das armas. Foi-se o objeto de defesa individual.

Tudo bem que pelos inúmeros exemplos, merece questionamento o fato de possuir ou não uma arma em caso de uma surpresa. Porém, com a imposição de uma política contrária, a sociedade teve retirada praticamente sua total condição de defesa e por isso obrigada a gastar as economias em alternativas de segurança como os itens ora citados. As empresas, indústrias, lojas e os próprios setores públicos são guardeados por empresas de segurança e circuitos fechados de câmeras de vigilância. Nas residências, a certeza da indefesa saqueia a autoestima da família e dá poder absoluto aos infratores. Com todos os apesares, lá, nessas localidades interioranas, alguns privilégios permanecem em destaque.

Os vizinhos, mesmo que poucos ou eventuais, se conhecem e geralmente tem um evento para conversar. Em termos gerais vivem menos trancafiados, o que não afasta o medo. O barulho que nos grandes centros por vezes tonteia é facilmente amenizado pela melodia da natureza e seus compositores. Se não fosse, não seriam tantas as áreas outrora produtivas e com exploração abandonada pelo insucesso, agora convertidas em chácaras de lazer para quem a correria do dia a dia e a vida acuada já trouxeram a exaustão. Esse meio rural, que em tantas situações vê a desertificação de lavouras, continua com vida, e a torcida é para que este pulsar seja intensificado por pessoa determinadas a trabalhar a terra que garante a diversidade alimentar da sociedade.


Lauro Baum

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