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Teve alterações? Sim, mais capoeira.

Lauro Baum | Administrador de Agronegócio

Créditos: Lauro Baum

A amarga realidade no campo, para não dizer em meio a tanto abandono, através de uma das frases de maior conceito entre quem as pronunciou durante pouco mais de um mês.

Por determinação da Receita Federal do Brasil, anualmente, durante o mês de setembro, os proprietários de terras rurais atualizam o cadastro para o imposto sobre propriedade territorial rural - o popular ITR. O mesmo aconteceu no mês que recém encerrou, talvez com uma diferença que se acentua de forma alarmante. Não unicamente o abandono total da propriedade, mas, a diminuição da atividade nelas desenvolvida.

Como em cada período desse serviço são atendidas centenas de pessoas no STR Lajeado e também nos escritórios dos demais municípios da base, a partir da informação do número de registro na Receita Federal é possível resgatar o histórico de informações prestadas no ano anterior. Esse dispositivo facilita o serviço bem como evita a contradição de informações. A partir disso é perguntado ao proprietário se houve mudanças do período anterior até agora. Neste momento a resposta que mais parecia ter sido ensaiado foi "sim, mais capoeira". Chega a ser desolador ouvir a expressão com o mesmo significado por mais de 30 dias.

Para quem possui um mínimo de proximidade com o meio rural, não tem dúvida. É o reflexo da baixa rentabilidade na sucessão de safras. Porém, o abandono se intensifica nas propriedades onde nem tão raras vezes o conjunto familiar precisa conviver com as contas fechando no vermelho. Talvez isso confirme a frase de que "os trabalhadores do meio rural são os últimos a morrer de fome" porque, quando uma cultura não proporciona renda, na diversificação podem entrar o alimento básico. Até serve como meia verdade. O básico é produzido sim. Mas, o custo para integrar a sociedade vai além da fome. Afinal, estamos fora do período da pedra e da caverna.

O mundo deposita esperança, confiança e resultados sobre o agro brasileiro. Lógico que isso é da ótica a partir das condições geográficas, clima e dimensão do território vista de fora. Para gerar o grão, a realidade precisa se completar com a viabilidade. Tudo bem que a urbanização da sociedade é um processo comum em todo mundo. Mas, quando o desequilíbrio força rumos para aumentar a massa social onde já existe um elevado contingente de desemprego, algo está fora do comum, fora do controle e da atenção oficial que precisam ser revistos.

Certamente no mês de setembro do próximo ano haverá nova atualização para o cadastro do ITR. Que sejam anunciadas menos capoeiras e mais motivação para devolver a produtividade nas propriedades. A sociedade precisa disso.


Lauro Baum

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