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Os Libertadores da América


"Eu desejo, mais do que qualquer outro, ver formar-se na América a maior nação do mundo, menos por sua extensão e riquezas do que pela liberdade e glória."
Simon Bolivar

 

A América Latina tem uma longa história com a Península Ibérica. Desde 1492, os povos ibéricos, a Espanha muito mais, nos colonizaram e impuseram seu domínio à força. Portugal pegou um só país, mas de dimensões gigantescas e enquanto pode daqui só extraiu riquezas.

A Espanha foi muito mais feroz em seu domínio, arrasando incas, astecas e maias que aqui viviam há séculos.

A "libertação" do Brasil veio de uma solução caseira, o rei que fugira de Lisboa devido a Napoleão, volta a Portugal e fica seu filho como imperador de um novo país independente. Tudo bem luso, sem derramamento de sangue e com uma certa ironia no ar.

Esse mesmo expansionismo napoleônico transformou também a Espanha. As tropas francesas foram responsáveis pela deposição de Fernando VII e o trono espanhol ficou sob a incumbência de José Bonaparte, irmão de Napoleão. Os colonos americanos que aqui viviam então, jurando fidelidade a Fernando VII, não reconheceram a legitimidade do novo governo e, com isso, as colônias passaram a ter autonomia e fizeram o governo dos "cabildos", uma espécie de câmara municipal local.

Com a derrota de Napoleão e as resoluções do Congresso de Viena, todos os governantes submetidos por Bonaparte foram novamente levados ao poder. Fernando VII voltou ao trono espanhol, reimplementando o absolutismo no país. Em relação a suas colônias, tentou retomar o controle dessas regiões, retirando toda a autonomia conquistada por seus nativos durante o período marcado pelo autogoverno dos cabildos.

Foi aí que surgiram os Libertadores da América, importantes líderes locais que coordenaram diversos movimentos emancipatórios. Simón Bolívar, José de San Martín, Bernardo O'Higgins e José Sucre foram quatro desses libertadores que, conjuntamente às elites "criollas", fundamentaram o surgimento dos primeiros países livres no território da América Espanhola.

Até hoje, esses "heróis" povoam o imaginário latino-americano como bem nos demonstrou o bolivarianismo recente em alguns países. A história como sempre se repetindo como farsa.

Dito isso, foi apenas em 1965 que a Copa dos Campeões da América foi rebatizada de Copa Libertadores da América, uma homenagem as figuras que lutaram contra o domínio espanhol nas colônias espanholas da América Latina.

Desde então a Conmebol vem organizando o campeonato invariavelmente com suspeitas de favorecimento e corrupção.

O auge aconteceu em 2015, quando o então presidente da Conmebol Juan Ángel Napout foi preso em Zurique acusado de corrupção e aceitou ser extraditado para os EUA para responder processo. Sua renúncia por e-mail abriu caminho para Alejandro Dominguez Wilson-Smith, paraguaio, filho do ex-presidente do Olimpia e economista formado pela Universidade de Kansas nos Estados Unidos. O jovem de 46 anos vinha de uma gestão no comando do futebol paraguaio e se elegeu prometendo transparência.

Acabou enredado na própria incompetência ao apostar todas suas fichas em uma milionária e histórica final argentina para a Copa Libertadores juntando os dois maiores rivais.

Após atos de violência inaceitáveis, cancelamentos e recuos ele anunciou que a partida final entre River e Boca seria jogada em Madrid, a terra dos conquistadores da América...

A ignorância histórica faz mais uma vítima!


Marcos Frank

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