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Daqui pra frente, tudo vai ser diferente

Douglas Sandri Engenheiro


Parte da minha infância eu vivi em um apartamento no Florestal e, após, em sua maior parte no Bairro Alto do Parque, em Lajeado, para onde minha família mudou-se. Foi no tranquilo bairro residencial que convivi com muitos amigos da infância. Nós agitamos a vizinhança com nossas bicicletas, skates, casas na árvore e campos de futebol improvisados.

Sou filho de comerciantes que, juntos, apresentaram-me a treze tios dos dois lados. Todos vindos do interior, sempre contaram como trabalharam duro na roça. Meu pai sempre contou que, com menos de 50 anos, meu avô - que eu não cheguei a conhecer - era conhecido na localidade de Travesseiro como o "Nono Sandri". É a história típica das famílias da região.

Dentre todos os meus amigos do Ensino Médio e amigos da faculdade, eu, com 28 anos, fui o primeiro a ter um filho, a Mariah. Dos amigos da infância lá do bairro, nenhum eu tenho notícia de que já tenha sido chamado de papai ou de mamãe. Hoje, o Alto do Parque tem poucas crianças. Os campinhos de futebol não mais existem nos pátios, nenhuma pista de bicicleta nos terrenos baldios, nenhuma rampa de skate nas calçadas, nenhuma casa da árvore foi reaproveitada. São raras até as festas de adolescentes que incomodavam os vizinhos na década de 2000.

A história do sossegado bairro que tem três décadas, é a ilustração de um número frio: a base da pirâmide, os jovens, está diminuindo vertiginosamente, enquanto - felizmente - vivemos mais e com mais qualidade. A Reforma da Previdência, que deve ser aprovada esta semana na Câmara dos Deputados, será fundamental para um país que envelhece rapidamente como nenhum outro o fez no mundo. É um paliativo. Enquanto hoje, há 21 inativos para cada 100 trabalhadores, em 2060, serão 63 aposentados.

A solução definitiva envolve a capitalização, debate que está prometido para o segundo semestre. Não há alternativas: cada vez este sistema de repartição pagará menos, desapontando a quem trabalhou toda a vida. Diria o rei Roberto Carlos, na letra que estampa o título deste artigo: é melhor pensar depressa e escolher antes do fim.


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