Economia

Abertura de vagas de trabalho de 2017 para 2018 dá salto na região

Ano passado foram criados 939 postos, contra 93 do anterior. Destaque para Teutônia e Roca Sales

Créditos: Luciane Eschberger Ferreira
Setores que se destacam com geração de empregos formais são comércio e serviços em cidades do Vale como Teutônia - Lidiane Mallmann/arquivo

Vale do Taquari - Segundos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), 2018 encerrou-se com saldo de 939 vagas formais de trabalho nos 38 municípios da região. O número é mais de dez vezes maior que em 2017, quando o período terminou com 93 postos.

Em 2018, o Vale segue a tendência de crescimento do Estado (saldo de 20.249 vagas) e do país (529.554). Entretanto, desde 2015 o Rio Grande do Sul e o Brasil fecharam o ano com índice negativo, diferente da região que em 2017 apresentou números positivos.

Na região, em 2017, a construção civil e a indústria de transformação encerraram 377 e 304 postos. Já o comércio e os serviços geraram 320 e 567 vagas, respectivamente. Em 2018, a construção civil fechou vagas (325), e a indústria de transformação apresentou reação - abriu 97. O destaque do ano foi comércio, que gerou 325 vagas e o serviço (809).
Entre os municípios, em números absolutos, Estrela terminou 2017 com saldo negativo de 60 postos. E continuou em queda, com - 276 em 2018. Teutônia (-182) e Roca Sales (-108), que tinham encerrado com números negativos, apresentaram reação no ano passado com saldo de 13 e 135 vagas. Lajeado, a cidade polo do Vale, mantém saldo positivo, mas com algum recuo - 670, em 2017, e 293, em 2018.

Economia diversificada responde mais rápido à retomada do crescimento
Para a economista e presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cíntia Agostini, a geração de empregos tem a ver com dinâmica da economia nacional e do VT. A região sofreu com a crise de 2015 e 2016, quando o país registrou Produto Interno Bruto (PIB) negativo. No ano seguinte, o PIB positivou. "E isso repercutiu em todos os setores." Os dados do Vale referentes a 2017 são reflexo do que aconteceu com a dinâmica prejudicada da economia nacional.

A construção civil, entretanto, destaca Cíntia, tem características muito particulares. O boom ocorreu há alguns anos, entre 2010 e 2013, com políticas públicas de incentivo. "Houve uma exaustão do setor, e os programas de incentivo específicos diminuíram consideravelmente, o que faz com que os setor não tenha dinamicidade como tinha antes."

Em 2017, a indústria estava saindo da crise que o país acabava de enfrentar e em 2018 começa se olhar para economia com a sensação de que as dificuldades estão passando, que dá para retomar alguns processos. "As empresas deixaram de olhar para o que estava acontecendo nas questões políticas e começaram a trabalhar para dar conta dos negócios." Segundo a economista, há uma retomada lenta no crescimento do país, o que reflete no emprego e renda. As taxas de desemprego, que chegaram a 14%, já baixaram para 11%. A abertura de vagas no comércio e serviço é reflexo da indústria da transformação, que, no momento, retoma o crescimento.

O país começa a fazer esta curva, com 2015 e 2016 muito negativo, e 2017 começa a ter uma melhora. "E 2018 o crescimento é um pouco melhor, não é na intensidade do que se imaginava e que se gostaria", pontua.  O Vale, ressalta Cíntia, por ter diversificação produtiva maior, responde mais rapidamente. "Se pensa em voltar a investir. Se antes tinha desconfiança muito grande, a confiança volta a prevalecer."

 

Saldo do emprego e desemprego

Número nacionais
2014: 398.136
2015: - 1.542.371
2016: -1.321.994
2017: - 20.823
2018: 529.554

Números estaduais
2014: 23.896
2015: - 95.173
2016: - 54.384
2017: - 8.173
2018: 20.249

 

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