Economia

Arábia Saudita suspende parte das importações de carne de frango

Medida reacende a discussão sobre as relações do Brasil com o Oriente Médio

Créditos: Da redação
Medidas atingem cinco frigoríficos brasileiros - divulgação

Vale do Taquari - A Arábia Saudita desabilitou cinco plantas frigoríficas exportadoras de carne de frango àquele país. Conforme a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Arábia Saudita mantém a autorização de exportação de 25 plantas. Atualmente, 58 são habilitadas pelo Ministério da Agricultura brasileiro a exportar, mas somente 30 destas embarcam produtos efetivamente. "O impacto, portanto, é sobre cinco plantas frigoríficas", diz nota oficial da ABPA.

As razões informadas para a não-autorização das demais plantas habilitadas decorrem de critérios técnicos. Planos de ação corretiva estão em implementação para a retomada das autorizações, informa a nota. "A ABPA está em contato com o governo brasileiro para que, em tratativa com o Reino da Arábia Saudita, sejam solvidos os eventuais questionamentos e incluídas as demais plantas. Além disto, as plantas que hoje não estão habilitadas contarão com o apoio do ministério para obter a autorização para exportar a este mercado." Segundo o presidente da ABPA, Francisco Turra, até ontem não havia um comunicado oficial, no entanto, a suspensão tinha sido confirmada por representantes do Brasil nos países árabes. "Eles não alegaram motivo de sanidade", comenta.

Especulações
Há rumores de que o corte seja uma barreira econômica por conta da possível mudança da sede da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. A medida havia sido ventilada pelo então presidente eleito Jair Bolsonaro e depois confirmada por seu filho, deputado federal Eduardo Bolsonaro, em agenda nos Estados Unidos, em novembro passado. O assunto foi abordado em reportagem pelo jornal O Informativo do Vale, na edição do final de semana, 24 e 25 daquele mês. Nesta segunda-feira (22), no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o ex-secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, teria dito que o descredenciamento de frigoríficos brasileiros era retaliação pelas atitudes do governo Bolsonaro em relação ao mundo árabe.

Se efetivada, a mudança da sede significaria o reconhecimento da cidade como capital de Israel, o que pode provocar atritos com palestinos e países árabes e também reações da comunidade internacional, cuja posição é de que o status de Jerusalém deve ser decidido em negociações de paz. O entendimento é de que o reconhecimento de Jerusalém Ocidental como capital de Israel só deve ocorrer ao mesmo tempo em que Jerusalém Oriental for reconhecida como capital de um futuro Estado palestino. Por isso, os países mantêm suas embaixadas em Tel Aviv, a capital comercial de Israel. Apenas Estados Unidos e Guatemala mudaram suas sedes para Jerusalém.

 

Atenção aos desdobramentos

De acordo com o diretor executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, a informação da suspensão de plantas exportadoras pegou a entidade de surpresa. A falta de informações mais precisas, como os frigoríficos afetados e os reais motivos da medida, também deixa o setor em alerta. Embora não tenha como medir o real impacto, o corte preocupa. "E abre precedente para o mercado do Oriente Médio, que é extremamente importante para as exportações."
Sobre a situação da mudança da embaixada em Israel, Santos acredita que, caso se concretize, seja daqui a algum tempo. A Asgav acompanhará os desdobramentos e vai agir com atenção. Trata-se de um mercado importante, que pode sofrer abalo em toda cadeia produtiva.

 

Ministério da Agricultura divulga lista

Em nota oficial, publicada no site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a pasta informa que tomou conhecimento, na segunda-feira, de relatório publicado pelo serviço sanitário da Arábia Saudita habilitando 25 estabelecimentos brasileiros como exportadores de carne de frango para aquele país. A aprovação foi resultante de missão que o Reino enviou ao Brasil em outubro de 2018. Na ocasião, foram visitados frigoríficos, fazendas e fábricas de ração.
O grupo habilitado respondeu no ano passado por 63% do volume das exportações brasileiras de carne de frango - porcentagem que correspondeu a 437 mil toneladas - para a Arábia Saudita. O Ministério ainda está examinando o relatório e encaminhará aos estabelecimentos as recomendações apresentadas. Entre os habilitados estão quatro do Rio Grande do Sul: JBS Aves, de Passo Fundo; JBS Aves, de Montenegro; Frigorífico Nicolini, de Garibaldi; e Frigorífico Nova Araçá, de Nova Araçá.

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