Economia

Competitividade faz preço da alimentação cair nos supermercados

Deflação deste tipo de produto puxa inflação de 2017 para baixo

Créditos: Matheus Aguilar
ALIMENTAÇÃO: itens tiveram queda em 2017 e puxaram a inflação para baixo - Lidiane Mallmann/arquivo O Informativo do Vale

Lajeado - A notícia de que a inflação ficou abaixo da meta do governo pegou muita gente de surpresa. Com aumentos em itens como combustíveis, gás de cozinha e energia, por exemplo, foi tímido o reflexo da alimentação na redução do índice para as famílias brasileiras. No fim das contas, o bolso acabou pesando mais.

Nesta quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial do país. E os números revelaram que, em 2017, a alta acumulada foi de 2,95% - uma das menores dos últimos anos. A redução no grupo da alimentação chegou a 4,85%, o que puxou o indicador para baixo, mesmo que outros itens tenham tido aumento muito superior. Na conta do IPCA, ela tem um peso de 25%, enquanto combustíveis, gás e energia elétrica, por exemplo, somam 10%.

A queda nos preços da alimentação é reflexo de um período difícil para a economia brasileira. A tendência é de que, em 2018, os consumidores voltem a sentir a conta do supermercado mais alta, já que a expectativa é de crescimento econômico ao longo do ano. E como explicar que uma perspectiva otimista da economia pode fazer com que os preços subam? Com a palavra, a economista Cintia Agostini. "A alimentação teve uma deflação muito grande no último ano em função da recessão. É um mercado muito competitivo e, como estamos em período de safra, algumas recordes, sem intempéries e o leite com concorrência do mercado internacional, os preços caíram por ter muita oferta e o consumidor ter passado o ano com um poder de compra menor", detalha. "Para 2018, a perspectiva é de que a economia volte a crescer e que a população compre mais. Isto pode fazer com que os custos voltem a subir, embora para a alimentação tenha alguns fatores que não conseguimos mensurar, como o clima", complementa Cintia.

Um dos pontos que podem fazer com que os preços dos alimentos aumentem ao longo do ano é justamente a produção recorde atual. Com maior oferta, os montantes pagos aos produtores acabam sendo menores. É uma tendência de que as áreas de cultivo sejam mais restritas, para fazer com que os valores subam e recompensem quem investe na área. "É um exemplo da lei da oferta e demanda. Se a primeira é maior, o preço cai. Se for menor, sobe. E vale para o produtor, que tende a diminuir áreas de cultivo para buscar preços que lhe sejam mais atrativos", observa a economista. Em compensação, a safra de grãos deve ser 6,8% menor que a do ano anterior, com estimadas 224,3 milhões de toneladas.

Impacto nas famílias de baixa renda
De acordo com a economista Cintia Agostini, o peso da cesta básica no orçamento doméstico é variável. "Mas é muito forte em famílias de baixa renda. Em muitos casos, pode representar de 50% a 60% dos gastos mensais", avalia. Neste sentido, a deflação do item alimentos, com destaque ao arroz (-10,9%), feijão (-46,1%), frango (-8,7%) e leite (-8,4%), fez bem ao bolso de quem ganha menos.

Pesquisa ajuda a economizar
A boa e velha pesquisa de preços continua sendo fundamental para ajustar o orçamento doméstico. Conforme Cintia Agostini, sempre que possível, o consumidor deve comparar. "Principalmente em períodos de menor poder de compra. E se preciso, deve-se substituir marcas para conseguir um valor mais adequado", recomenda.

Levantamento feito na tarde de ontem confirmou a redução do preço da cesta básica em Lajeado em 35 itens de alimentação, higiene e limpeza, em três supermercados. O valor médio ficou em R$ 218,84.



E os combustíveis...
O preço da gasolina subiu na última semana. Acompanhando a variação quase diária da Petrobras, abastecer ficou, em média, R$ 0,10 mais caro por litro na cidade. Em pesquisa por postos de Lajeado, a reportagem encontrou valores que variam de R$ 4,249 a R$ 4,52 por litro da gasolina comum para pagamento à vista. De 3 de julho passado, quando a nova política de reajustes foi implementada, até 28 de dezembro, os valores nas bombas mudaram 115 vezes. A variação, no período, é de 25,49%. A alta acumulada foi de 10,32%.

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