Economia

Municípios do Vale exportam para 13 dos 15 países do Oriente Médio

Israel, centro de discussão política nacional, importa de Arroio do Meio, Dois Lajeados, Lajeado e Taquari

Créditos: Luciane Eschberger Ferreira
Frangos estão entre os itens exportados pelo Vale - divulgação

Vale do Taquari - A mudança da embaixada brasileira em Israel, de Tel Aviv para Jerusalém, volta a ocupar o noticiário nacional esta semana. O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente eleito, cumpriu agenda nos Estados Unidos e reafirmou a alteração. "A questão não é se, mas quando", disse. Jair Bolsonaro, por sua vez, recebeu o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, no Rio de Janeiro, e também tocou no assunto com a firme intenção da troca. O Brasil seria o terceiro país a ter a sede da embaixada fora de Tel Aviv - os outros dois são a Guatemala e os Estados Unidos, que trocou a sede em maio. O assunto interessa aos exportadores para aquele mercado. Por se tratar de uma área de conflitos políticos e religiosos, qualquer tipo de barreira poderia atrapalhar os negócios e desequilibrar a economia. Da mesma forma, medidas de aproximação entre o Brasil e os países do Oriente Médio melhorariam o cenário comercial.

Atualmente, nove municípios do Vale exportam produtos para um ou mais países do Oriente Médio, formado por 15 nações. "É um mercado que toda a região busca", afirma o administrador em comércio exterior, Diego Heineck. Ele tem no currículo passagens no setor por diversas empresas do Vale e há dez anos atua na DHEX Business Development, com sede em Arroio do Meio. Uma empresa é especializada em desenvolvimento de negócios internacionais, comercializando produtos entre diferentes países por meio da importação e da exportação. Israel, centro das discussões atuais, na visão de Heineck, é um país à parte naquela região por conta das questões religiosas. "Israel nunca foi muito importante", destaca, referindo-se às relações comerciais. "E não sei o quanto vai repercutir a mudança da embaixada. Na prática, não terá impacto."

Mercosul
O administrador aponta para outras medidas anunciadas por Jair Bolsonaro. "Vejo com bons olhos as declarações de melhorias de infraestrutura em estradas, portos e aeroportos." Heineck também destaca a intenção do presidente eleito em tirar as amarras do Brasil frente ao Mercosul. Segundo Daniel Heineck, os países-membro não podem fazer tratados individualmente com outras nações, apenas pelo bloco. O Brasil é o elo forte da corrente, os demais são fracos economicamente e isso faz com que outras nações não se interessem e não façam negócios bilaterais. "O Mercosul é um entrave para o Brasil." O bloco não tem nenhum tratado com a Europa, por exemplo, o que causa uma concorrência desleal, já que os tratados preveem menos barreiras e menos burocracia, deixando os produtos mais competitivos. Ele cita como exemplo a barreira imposta pela Europa para o setor de doces. "Os produtos são taxados pela quantidade de açúcar, isso é uma barreira."
Para o profissional, se o Mercosul não se mexer, o Brasil terá que de movimentar sozinho. "O Brasil precisa tomar atitudes de um país mais agressivo, não só na exportação quanto na importação."

 

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