Economia

Pais usam as férias e antecipam as compras de material escolar

Em 2018, a lista de material escolar deve ser mais cara que em 2017

Créditos: Lucas George Wendt
MOVIMENTO: em papelarias e lojas de materiais de escritórios, volume de negócios deve ser maior do que em 2017 - Lucas George Wendt

Lajeado - O início de janeiro, conforme vendedores, é o melhor período para ir às compras do material escolar. É quando as lojas ainda têm nos estoques boas quantidades de produtos e os preços estão mais em conta. As lojas de material escolar da cidade já reforçaram seus estoques, em razão do aumento da procura da época, fazendo saltar às vistas nas prateleiras itens coloridos e chamativos.

A partir do final do mês de janeiro e, especialmente, em fevereiro, os estabelecimentos ficam cheios com a iminência do ano letivo e o costume de deixar as compras para depois. A Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares e de Escritório (Abfiae) estima que os pais que forem comprar sintam o reajuste dos valores dos itens entre 5% e 8% neste ano, valor que é maior que a inflação de 2017 (medida pelo IPCA, e que ficou em 2,78%).

Produtos importados são os mais sensíveis à elevação de preço, em razão das alterações recentes de câmbio, conforme a Abfiae.

Um dos proprietários de uma papelaria no Centro de Lajeado, Antonio Rempel, diz que a expectativa de vendas para o período é boa, e maior do que no último ano. Rempel explica que o movimento se intensifica a partir da segunda quinzena de janeiro, normalmente, apesar de que, nos últimos anos, as pessoas têm se antecipado na hora de ir às compras. Isso faz com que o estabelecimento, inclusive, contrate profissionais para reforçar as vendas nestes meses.

Rempel aconselha aos pais que sempre peçam a nota fiscal dos produtos que comprarem - essa é a garantia da aquisição de produtos regularizados e da possibilidade de troca. Além disso, para ele, é importante pesquisar os valores e estar atento às marcas novas que estão surgindo no mercado - que oferecem bons produtos e uma alternativa mais barata em relação àquelas consolidadas.
Tânia Wessel, proprietária de um outro estabelecimento na cidade, confirma a antecipação dos pais e mães. "As pessoas estão procurando antes", diz. "Mesmo que o pico seja em fevereiro", complementa.

A administradora explica que, assim que o Natal passa, já é a hora de se preparar para atender esse novo fluxo de pessoas.

As listas escolares asseguram bons negócios em momentos em que comércio local, por ser época de férias, apresenta redução no volume de vendas com as pessoas saindo do interior para outras regiões do RS.

"Pegamos as listas e trazemos para o mostruário os principais itens", completa Tânia. "A primeira semana de janeiro sempre é de preparação". No estabelecimento, a expectativa de negócios para este ano também é positiva.

Ambos os proprietários não titubeiam quando questionados sobre os itens mais procurados: mochilas, cadernos e estojos.

Investimento
Michele de Azevedo é professora e mãe de Yasmin Drebes (8). A garota chegou à 3ª série na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Universitário, em Lajeado. Como de costume, o ingresso em uma nova turma traz uma nova lista de materiais que precisa ser contemplada pelos pais. "Como educadora compro todos os itens da lista", diz a mãe. Entre papelarias e outros tipos de estabelecimentos, Michele comenta que prefere as primeiras: "O atendimento é mais específico", avalia.

Ela explica que, enquanto professora, percebe a necessidade de os pais colaborarem e, na medida do possível, adquirem todos os itens. "É importante para o desenvolvimento das crianças", comenta. Ela considera o investimento em material escolar um estímulo que os pais podem oferecer aos filhos. Na hora de comprar, Michele revela que pesquisa antes e procura materiais de qualidade. "Existe muita diferença de preços", opina.



Dicas para economizar
É importante levar em consideração, na hora de comprar, algumas dicas. São detalhes que passam despercebidos pelos pais e que podem influenciar - e muito - no valor investido com os itens da lista escolar. Reutilizar é uma boa opção. Alguns materiais podem ser aproveitados de um ano para o outro. Esse costuma ser o caso de materiais mais resistentes, como tesoura e estojo.

Pesquisar entre estabelecimentos, para comparar valores de marcas é outra dica. Você pode encontrar surpresas positivas durante o levantamento de preços. Ir para a internet procurar os melhores valores pode ser interessante também.

No caso de livros, opte por procurar em sebos e consultar sites de editoras. É possível que preços sejam mais baratos.

Organizar compras em grupo pode ser uma saída. A compra em atacado pode apresentar valores mais baixos do que compras feitas isoladamente.

Objetos de marcas registradas e artigos licenciados costumam ser mais caros. Procure evitar, ou negociar com seu filho. Além de encarecer a lista, materiais com características de brinquedos podem distrair o estudante durante a aula.

Por fim, se possível, deixe as crianças em casa na hora de ir às compras. A chance de ceder ao apelo por marcas ou produtos específicos é menor, nesse caso.

O que diz o Procon
Neste início de ano, antevendo a procura expressiva por itens escolares para completar as listas do que as escolas pedem, o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor do RS (Procon) divulgou dicas importantes àqueles que vão às compras. Confira as principais recomendações do Procon. Mais você poder ler no site do órgão: www.procon.rs.gov.br.

Preste atenção no que a escola pode solicitar. Muitas vezes, são pedidos materiais que não competem aos pais fornecer: é o caso de medicamentos, papel higiênico, giz de quadro e canetas para lousa;

O aluno não é obrigado a comprar os materiais no próprio estabelecimento de ensino, caso ele ofereça essa possibilidade;

Nas lojas, perceba se itens como cola e tintas têm informações claras sobre como proceder em caso de ingestão ou danos que o produto possa vir a causar;

Exija a nota fiscal da compra. É imprescindível para possíveis trocas de produtos;

Caso os pais identifiquem na lista da escola algum item que não seja necessário ao aprendizado, é possível consultar o Procon sobre a relação e indagar junto à direção da escola;

Na hora de elaborar a lista, a escola (seja pública ou privada) deverá considerar a situação econômica do estudante e da sua família (conforme dispõe a Lei Federal n. 8907/94).

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