Economia

Setor primário tem prejuízo por conta da greve dos caminhoneiros

Emater divulga balanço e aponta os setores do leiteiro e avícola como os mais atingidos na região

Créditos: Julian Kober
- Lidiane Mallmann

Vale do Taquari - A manifestação dos caminhoneiros, durante 11 dias entre maio e junho, provocou perdas em 19 municípios do Vale do Taquari (veja quadro). É o que aponta o levantamento divulgado pela Emater, realizado entre 28 e 30 de maio. Com a paralisação nas estradas, cerca de 1,38 mil produtores ficaram mais de uma semana sem transportar a produção e tiveram dificuldade de alimentar os animais, devido à falta de ração. E com a escassez de combustível, oito cidades decretaram situação de emergência - Capitão, Encantado, Imigrante, Muçum, Nova Bréscia, Pouso Novo, Progresso e Putinga.

Conforme o gerente regional adjunto da Emater/RS-Ascar Regional Lajeado, Carlos Augusto Lagemann, a restrição alimentar trouxe reflexo nas produções de aves e suínos, gerando perda de peso e baixas na produção dos animais. "A desnutrição também causa baixa imunidade, interferindo na sanidade dos rebanhos."

Perdas no leite

A produção leiteira foi a atividade mais afetada durante os protestos. A coleta não foi realizada em 16 cidades da região, causando prejuízo financeiro direto aos produtores, que tiveram que jogar fora o leite. Ao todo, 1.317 produtores da região perderam 940 mil litros.

Somente em Anta Gorda, 268 mil litros não foram coletados pelas empresas e acabaram sendo descartados. Alguns laticínios ficaram sem recolhimento durante nove dias. O produtor Vagner Culau perdeu mais de cinco mil litros, gerando um prejuízo superior a R$ 7 mil. Apesar de ter sido favorável ao movimento, Culau afirma que os próximos meses serão difíceis para a recuperação financeira. "O que estava ruim só piorou com a greve. E depois que o frete encareceu, as despesas só aumentaram."

Para o titular da Secretaria da Agricultura de Anta Gorda, Joelmo Balestrin, os protestos acentuaram a crise na produção leiteira, que já passava por um momento complicado antes das manifestações. "Sem as perdas causadas durante a greve, o setor já estava comprometido por causa da defasagem do preço do leite e a alta das rações e insumos. A situação é crítica, e a recuperação vai ser muito difícil."

Município

Produção leiteira perdida

Produtores prejudicados

Anta Gorda

268.000 litros

212

Arroio do Meio

40.000 litros

30

Arvorezinha

100.380 litros

100

Capitão

58.000 litros

88

Cruzeiro do Sul

98.000 litros

80

Dois Lajeados

30.000 L

60

Forquetinha

17.500 L

9

Lajeado

6.000 L

10

Nova Bréscia

9.600 L

6

Pouso Novo

18.000 L

32

Progresso

8.000 L

219

Putinga

240.000 L

380

Santa Clara do Sul

2.000 L

25

Sério

20.000 L

30

Tabaí

5.600 L

26

Vespasiano Correa

20.000 L

10



Hortaliças

Em Cruzeiro do Sul, a perda atingiu pelo menos 40 produtores. Com dificuldade de transportar a produção, 30 agricultores perderam 112 toneladas de aipim. Já o milho verde de outros dez produtores ficou retido nas estradas, num prejuízo de 30 toneladas. Além disso, os bloqueios nas estradas afetaram dois produtores de flor de Santa Clara do Sul, que perderam 2,5% da produção prevista para o ano.

Morte de animais

Com a falta de ração, muitos produtores tiveram que adequar as porções. Durante a paralisação dos caminhoneiros, a maioria reduziu o consumo normal de 50% a 70% do alimento aos animais, a fim evitar a escassez. Entretanto, tais medidas não impediram a desnutrição, adoecimento e morte, especialmente na avicultura. O setor teve baixa de 33,8 mil aves. Somente em Imigrante, foram 20 mil. Em Muçum, mais de mil frangos morreram em uma granja, após três dias sem comida.

Relembre o caso

A paralisação dos caminhoneiros iniciou-se em 21 de maio e durou 11 dias. Os manifestantes interromperam estradas em todo o Brasil para protestar contra os reajustes frequentes no preço e pelo fim do PIS/Confins do óleo diesel.

 

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