Esporte

Pés e bola no chão

Com 11 anos e 1,78m de altura, João Victor de Souza Pinheiro se destaca na Europa pelo Juventude, de Caxias do Sul

Créditos: Guilherme Rossini
João Victor recebe troféu como goleador máximo na Football Cup Barcelona ao marcar sete gols em cinco jogos - divulgação

Lajeado - O futebol no Brasil é uma das principais ferramentas de ascensão social e econômica, gerando enorme interesse dos jovens e seus pais sobre a possibilidade de chegar ao status de profissional. João Victor de Souza Pinheiro (11) é mais um dos garotos brasileiros que têm o sonho de se tornar jogador de futebol, no entanto, o menino que apesar de ter 1,78m de altura, ainda é uma criança, tem em seu pai, João Paulo Tavares Pinheiro, um esperançoso e tranquilo incentivador. O meia-esquerda, que joga no Juventude, em Caxias do Sul, concilia a rotina de treinos com as aulas no Colégio Evangélico Alberto Torres (Ceat), onde além das aulas normais no 6º ano, frequenta turmas de alemão, inglês e música.

Integrante do sub-11 do clube da Serra Gaúcha desde janeiro deste ano, João Victor participou de duas competições na Europa com a equipe, na França e na Espanha, onde foi artilheiro e o Ju conseguiu o título. Na Football Cup Barcelona, o Juventude marcou 22 gols, dos quais, sete foram anotados pelo meia-esquerda, além de não terem tomado nenhum gol. "Nós jogamos em um nível muito bom, além de ser capitão em alguns jogos, fiz vários gols e conquistamos o campeonato", comenta o atleta. Segundo ele, o futebol jogado em solo europeu é mais tático. "A gente vê como eles jogam com as linhas certinhas, é um jogo mais tático, um pouco diferente do nosso."

O contato com a Europa acabou sendo facilitado pela aplicação do garoto aos estudos, pois ele faz aulas de inglês e alemão no Ceat. "É legal fazer outras línguas, principalmente o alemão, que tenho mais facilidade. Me ajudou um pouco lá e pode me ajudar mais ainda no futuro", enfatiza.

 

Sonho de garoto

Fã de jogadores como Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo, João Victor projeta a carreira como profissional com a aspiração de um dia chegar ao futebol europeu. No entanto, o menino que começou bastante jovem no Clube Esportivo Sete de Setembro, de Lajeado, foi indicado ao time da Serra pelo seu antigo treinador, Nico. Atualmente, ele vai com seu pai para Caxias do Sul três vezes por semana para treinar. Sendo que, apesar da rotina, preocupa-se com o desenvolvimento do filho como cidadão . "O Juventude é um clube muito legal por isso, pois além de ter uma ótima estrutura, pensa nos garotos. Sempre estão de olho nas notas, e se tem algum problema, chamam os pais pra conversar", comenta Tavares.

Ele frisa que as coisas acontecem na vida de seu filho, por isso crê na sua profissionalização. "Ele está evoluindo, mas nada é coincidência. Por exemplo, o que aconteceu em Barcelona. O número preferido do meu filho é o sete; ele nasceu em 7 de janeiro de 2007; fez sete gols no torneio de Barcelona, que foi o mais importante que ele já jogou e, finalmente, Deus criou o mundo em sete dias. Não preciso dizer mais nada, as coisas acontecem para ele", diz.

 

Referências de peso

O pai do garoto, João Paulo Tavares Pinheiro, comenta que seu filho tem um modo de jogar incomum, parecido com duas referências no futebol nacional. "Não sou só eu, mais gente fala que ele parece o Sócrates e o Rivaldo, pois pratica o futebol com a cabeça em pé." Do alto de seu 1,78m, que aos 11 anos faz com que ele tenha uma visão privilegiada do campo, é comum vê-lo ao dominar a bola, parar e pensar o que vai fazer, trabalhando principalmente os passes no costado da defesa adversária. "Eu gosto de fazer gols, tanto que estou numa fase goleadora. No entanto, sempre penso em dar o passe para encontrar os companheiros livres", comenta o jovem. O estilo de jogo do menino chama a atenção não só pela tranquilidade dentro das quatro linhas, mas também pela qualidade em distribuir o jogo, como pela sua chegada na área, que mescla o antigo e o atual futebol, justificando as pesadas referências.

 

Sempre em foco

Ao entrar em campo na maioria dos campeonatos, João Victor tem sua idade contestada, e não foi diferente fora do Brasil. "Os treinadores tinham que ficar com o passaporte dele sempre em mãos. Os adversários sempre pedem pra confirmar a idade dele, é normal", conta seu pai. No entanto, além da altura, que tem a expectativa de superar 1,90m, o menino joga um futebol de destaque, pois, ao chegar ao Juventude, teve proposta de empresários para gerenciar sua carreira. "Ele é muito novo para isso. Tem que se preocupar em brincar de futebol, se divertir, não com o desempenho, carreira, dinheiro. Isso são coisas que vêm naturalmente e quando ele tiver idade certamente poderemos conversar com alguém sério", diz Tavares.

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