Esporte

Projeto Trilhe-se, Mulher chega na sua segunda edição

Trilhe-se, Mulher propõe vivências que promovem o empoderamento feminino em contato com a natureza


- Deb Dorneles/divulgação

Vespasiano Corrêa - Uma imersão de três dias, entre trilhas e montanhas do Vale do Rio Guaporé e Ferrovia do Trigo. Com base no Eco Refúgio, em Vespasiano Corrêa, o projeto Trilhe-se, Mulher chega a sua segunda edição recriando uma realidade paralela em meio a rotina turbulenta e corrida, para mulheres que buscam no, convívio com a natureza um fortalecimento interior, do corpo e da mente.

Idealizado por Silvia Zonatto, o projeto busca repetir o sucesso da primeira edição, que contou com participantes entre 20 e 75 anos. "Sem dúvida é um experiência muito enriquecedora, um momento que as mulheres tem pra si, pra desligar da rotina, viver novas experiências, aproveitar com as amigas, desfrutar da natureza, conhecer pessoas novas, mas, principalmente, se autoconhecer. Pelo o que várias participantes nos relatam, esses encontros tem gerado efeitos muito fortes e bonitos nas suas vidas, refletindo na sua autoconfiança e autoestima, e nas suas relações com outras pessoas e com o mundo", comentou a aventureira de 27 anos que caminha para o final do curso de Psicologia, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

ENTREVISTA
O Informativo do Vale - Qual foi o incentivo que teve para começar a prática de esportes de aventura?
Silvia Zonatto - Meu pai e minha mãe sempre foram apaixonados pela natureza, e por isso também foram meus grandes incentivadores. Conheceram as terras, onde hoje é o Eco Refúgio, em 1989, e em 1997 inauguraram o espaço como um centro de esportes de aventura. Acredito que essa foi a experiência de vida mais rica que eles me proporcionaram: ter crescido em um lugar tão forte e mágico, praticando esportes de aventura na natureza e convivendo com pessoas e grupos tão diferentes que vem pra cá até hoje.

O Informativo do Vale - Como surgiu a ideia de uma atividade voltada somente para mulheres?
Silvia - Estar entre mulheres é algo que sempre me fez muito bem. Nos últimos anos, me envolvi e me aproximei de muitas mulheres através do movimento feminista e de alguns círculos de práticas ancestrais, aos quais sou muito grata pelos aprendizados. A partir daí, percebi a importância de termos momentos somente entre mulheres, pra compartilharmos experiências e nos fortalecermos entre nós. Logo depois, comecei a viajar pra fazer trilhas e travessias com amigas, e me dei conta que as mulheres não são nenhum um pouco incentivadas a encararem lugares selvagens e superarem seus limites através dos esportes de aventura. Como já trabalhava como guia no Eco Refúgio, surgiu a ideia de fazer um projeto de mulheres para mulheres, pra mostrar que, sim, nós podemos! Daí nasceu o Trilhe-se, Mulher. Convidei mais duas amigas, Carolina Gedoz e Isadora Lescano, e começamos a promover esses encontros, em finais de semana, onde busca-se sair da zona de conforto pra viver novas experiências no meio da natureza.

O Informativo do Vale - Por que cada vez mais esportes, antes ditos para homens, tem atraído o público feminino?
Silvia - Acredito que isso é efeito dessa virada que está acontecendo. Todos os espaços que antes eram, majoritariamente, habitados por homens, estão deixando de ser assim, e que bom, né? As mulheres hoje, são muito mais independentes pra fazer suas próprias escolhas, são senhoras do seu próprio destino, estão conquistando cada vez mais espaços e isso se reflete também nos esportes.

O Informativo do Vale - Estamos lidando com uma geração de mulheres mais fortes ou isso vai muito da mentalidade O de buscar o algo a mais e superar barreiras?
Silvia - Acredito que todas mulheres são fortes. Sobre a questão geracional, minhas avós eram tão ou mais fortes do eu, mas hoje os tempos já são outros, no tempo delas as mulheres sofriam mais com o preconceito e o machismo do que hoje. Elas superaram as barreiras da sua época, nós estamos superando as atuais. Mas acredito que hoje as mulheres tem mais liberdade para buscar o que faz bem pra cada uma, algumas buscam superar seus limites se aventurando na natureza.

O Informativo do Vale - No meio da trilha tem essa sexo frágil? Como lidam com as adversidades?
Silvia - Sexo Frágil? hahaha... não sei quem falou uma bobagem dessas. No último evento, tivemos participantes de 20 até 75 anos. Boa parte delas participando desse tipo de evento pela primeira vez. Todas participaram de todas as travessias e fizeram rapel também. Claro que, enquanto guias, estamos preparadas tecnicamente e tomamos todos os cuidados preventivos necessários, mas caso algo aconteça ou alguém se machuque, lidamos com as adversidades em grupo, mulheres unidas superam qualquer coisa juntas.

O Informativo do Vale - Esse "poder feminino" como é visto pelo lado masculino? O preconceito ainda pode ser notado ao longo da trilha?
Silvia - Nas travessias, sinto que os homens ficam um pouco "assustados" e surpresos quando cruzam com um grupo de mulheres de diferentes idades. Em um dos eventos, quando atravessávamos a Ferrovia do Trigo, teve até um que comentou "se eu falar para os meus amigos que cruzei com um grupo tão grande de mulheres aqui no meio do nada, eles não vão acreditar."... Mas isso foi tranquilo. Já aconteceu comigo, de estar em outros lugares, e escutar "olha, essa trilha aí é complicada. Não é pra mulher, não" ou quando veem que você consegue fazer, soltam alguma piada usando o termo "mulher-macho" porque não conseguem entender que mulher não é forte porque parece ser "macho", é forte porque mulheres são fortes, sim.

O Informativo do Vale - O que o 2ª Imersão Trilhe-se, Mulher prepara de novidades para as participantes?
Silvia - A programação tá recheada de vivências incríveis. Disponibilizamos um material teórico com várias dicas, mas a melhor parte são as caminhadas que passam por belas paisagens do Vale do Rio Guaporé e Ferrovia do Trigo. Também teremos algumas meditações e uma manhã de rapel (40 metros) no Viaduto 13, e claro, refeições deliciosas e saudáveis no aconchego do espaço Eco Refúgio. De noite, sempre convidamos todas participantes pra uma roda de música ao redor da fogueira. É importante ressaltar que os equipamentos do rapel são específicos para leigos e certificados pela UIAA (União Internacional de Atletas de Alpinismo) e pela ABETA (Associação Brasileira das Empresas de Turismo de Aventura).

O Informativo do Vale - Se Silvia Zonatto pudesse escolher outro estilo de vida, qual seria?
Silvia - Hoje, acho que escolheria ter mais dias da minha semana no mato do que tenho, mas acho que falta pouco tempo pra isso acontecer, ainda bem.

Serviço
A segunda edição do Trilhe-se, Mulher acontece nos dias 19, 20 e 21 de maio. Recheada de surpresas, o pacote inclui trekking, rapel, aventuras e vivências coletivas na natureza. Uma experiência única em meio a natureza.
Inscrições podem ser feitas até essa segunda-feira, 15 de maio. Limite de 30 vagas.
Informações na FanPage facebook.com/trilhesemulher ou pelo e-mail [email protected]

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