Esporte

Torcedora de família

A gremista Vera Lúcia Kist Lang fala, sobre a tarde do último título do Brasileirão do Grêmio

Créditos: Guilherme Rossini
LEMBRANÇA DO TÍTULO: Vera segura a camisa usada no ano em que o Grêmio ganhou seu último título do Campeonato Brasileiro - Lidiane Mallmann

Lajeado - De família totalmente gremista, a torcedora Vera Lúcia Kist Lang (60) leva marido, filha e quem mais quiser para ficar com o Grêmio onde ele estiver. Em 1996, não foi diferente. No último título do Campeonato Brasileiro da equipe, a comemoração foi no tradicional ponto de encontro lajeadense, no cruzamento da Avenida Alberto Pasqualini com a rua Júlio de Castilhos. 
Há 15 anos sem vencer o Brasileirão, o Grêmio enfrentou a Portuguesa de Desportos na final do torneio, em 1996. Na primeira partida, o time de Paulo Nunes, Ailton e Dinho perdeu por 2 a 0, deixando os gremistas quase sem esperança de sair da fila sem o título nacional. No entanto, no segundo jogo, no antigo Estádio Olímpico, o Grêmio reverteu a vantagem dos paulistas e se sagrou Campeão Brasileiro. No entanto, a partida teve um viés dramático, pois o gol necessário para o Tricolor Gaúcho conseguir o título foi marcado no final da partida. "Não me lembro tudo exatamente que aconteceu no jogo, porém, do gol do Ailton, aos 40 minutos, eu não me esqueço. Foi uma festa gigante. Me lembro de iniciar aquele dia com o tradicional churrasco de domingo e terminar com festa, desfile e comemoração em Lajeado", conta.

Amor pelo Grêmio

A torcedora tricolor Vera Lúcia Kist Lang começou sua relação com o Grêmio quando tinha 9 anos de idade, na época em que nem sabia que existia o Internacional. "Eu só conhecia três times, que era os que eu já tinha ouvido falar. Tinha o Grêmio, o Juventude e um tal de Colorado, que eu nem sabia que era o Inter. Mas é claro que escolhi o Grêmio. Não sei se foi pelas cores, pela torcida, não sei. Esse tipo de amor a gente não explica", enfatiza.
Os anos foram se passando, e seu amor pelo Tricolor aumentando. Desde ir nos jogos no Estádio Olímpico até a evolução para a Arena, Vera se viu cada vez mais apoiando seu time do coração. "O amor pelo azul, preto e branco é coisa de família. É praticamente todo mundo Tricolor. Quando a minha filha começou a namorar meu genro, a primeira pergunta que fiz é de qual lado estava. Ainda bem que é azul, senão", diz ela, rindo.

De filha para mãe

Praticamente toda a família de Vera Lúcia Kist Lang é torcedora do Grêmio. Alguns mais, outros menos fanáticos, mas nenhum como a moradora de Lajeado. Vera conta que já fez de tudo pelo Tricolor, desde comemorar títulos grávida, pulando no meio de toda a torcida, até ir aos jogos na capital com recursos escassos. "Quando éramos jovens, eu, meu marido, um cunhado e uma cunhada resolvíamos ir no jogo, mas não tínhamos bandeira. A gente ia na loja comprar tecido preto, branco e azul, e minha mãe costurava para a gente. Íamos de manhã pra Porto Alegre e levávamos sanduíches para comer na Praça da Redenção e depois íamos rumo ao Olímpico", diz.
A torcedora, que participa do Consulado Feminino do Grêmio de Lajeado, ainda conta que o Grêmio também deu uma das maiores emoções de sua vida. "Em 2006, quando estávamos voltando da Série B do Campeonato Brasileiro, foi um momento muito difícil para o clube. Ganhamos o Gaúcho e a Copa da Federação Gaúcha naquele ano. Em um desses títulos, a minha mãe, que nunca foi de participar ativamente das minhas atividades no futebol, pediu se não podia ir junto no desfile de comemoração do título. Ela quis participar daquele momento comigo, foi algo indescritível e que nunca mais eu vou esquecer, pois na terça-feira ela passou mal e na quinta-feira faleceu", conta, emocionada.

Torcida e superstição

No futebol, grande parte dos torcedores mais fanáticos possuem diversas superstições, como um local apropriado para ver os jogos, meias e camisetas da sorte, além de cânticos ou orações antes ou durante os jogos. No entanto, Vera Lúcia Kist Lang garante que não tem nenhum tipo de ato que repita no dia a dia dos jogos. "Olha, eu não acredito muito nisso. Mas, na verdade, quando eu uso a camisa do Grêmio durante as partidas, meu tricolor perde. Por isso, evito usar, aí meu time ganha", explica.
Vera não perde um jogo do clube, seja pela televisão ou no estádio. Mas, segundo conta seu marido, Inácio José Lang, a torcedora fica bastante nervosa durante as partidas. "Ela senta no sofá e chuta, como se fosse uma jogadora, não dá pra sentar muito perto, pois o risco é grande de ser acertado. Ela também dá dicas ao Renato Portaluppi de quem tem que entrar e quem tem que sair. O melhor é que ela sempre acerta as substituições", diz. A gremista responde o marido dizendo que o problema é quando apostam no Grêmio. "Eu odeio quando dizem que o Grêmio é favorito. Parece que dá azar. Aí eu fico nervosa. O ideal é que deixem meu Tricolor chegar devagarzinho, e ganhar tudo, como vem fazendo nos últimos anos", enfatiza.

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