Esporte

VAR ou não VAR, eis a questão

Brasileirão de 2019 será o primeiro na história com a utilização do árbitro de vídeo

Créditos: Guilherme Rossini
PROTOCOLO FIFA: árbitro de vídeo (VAR) segue uma série de regras que ainda vem sendo discutidas pelas federações de futebol e arbitragem do mundo - Fifa/divulgação

Brasil - São jogados 40 minutos do segundo tempo de uma partida do Campeonato Brasileiro e você está confortavelmente sentado em frente a sua televisão. Até que, em um escanteio, sua equipe marca um gol, que por sinal, seria o gol da vitória. Sedento, você aguarda a repetição do lance na televisão, porém, a transmissão não reproduz o replay e você fica perdido, pois os jogadores pararam de comemorar, e o árbitro colocou a mão no ouvido. Será que valeu o gol? O que será que aconteceu no lance? Acostume-se torcedor gaúcho, que esse é só um dos diversos protocolos do Video Assistant Referee (VAR), ou árbitro de vídeo, que você terá que se acostumar.

Quando possivelmente há irregularidade em algum lance, principalmente em momentos de gol, o árbitro paralisará a partida, a fim de esclarecer e tomar a decisão conforme as 17 regras do futebol. Porém, neste tempo enquanto ele resolve o que fazer, a televisão é 'aconselhada' a não reproduzir o lance que acabou de ocorrer, ou seja, não haverá replay enquanto o árbitro estiver decidindo a resolução do lance.

Diante da novidade e dos testes efetuados em diversas competições pelo mundo, o VAR ainda gera muitas dúvidas, polêmicas e incertezas. No Brasil, que é o país onde os atletas reclamam com maior veemência da arbitragem dentro das quatro linhas, ainda há muitos problemas com a aplicação das regras em relação ao árbitro de vídeo. Além dos atletas pressionando os assopradores de apito enquanto eles ouvem o que os colegas dizem na sala do VAR, têm muitos jogadores fazendo o sinal da TV, solicitando que o juiz veja o vídeo, algo proibido e passível de punição com cartão amarelo.

Para isso, a redação de O Informativo do Vale buscou esclarecer da melhor forma para você torcedor da dupla Gre-Nal, quando e como o VAR será utilizado, para que você não se sinta perdido em frente a televisão ou no estádio, enquanto a equipe de arbitragem decide o que fazer.

 

GOLS

Em cada gol que ocorre na partida, a equipe de arbitragem do VAR, situada na cabine com televisões e imagens de diversas câmeras em determinados ângulos, tem a responsabilidade de conferir a legalidade dos lances. Ou seja, em cada uma das oportunidades em que a bola balançar a rede, há um momento de conferência da arbitragem de vídeo e após essa aferição, por meio da comunicação por rádio, o árbitro principal é avisado se o gol foi legal ou se há alguma irregularidade. Com isso, ou ele escuta e confia no que dizem os conferentes na sala do Var, ou pede para ver o lance na televisão na borda do campo. Contudo, se ele não tem dúvida e a jogada foi dentro das regras, ele assinala que o gol foi legal. Sendo assim, é importante deixar claro que a decisão é sempre do árbitro de campo.

PÊNALTIS

O protocolo é semelhante ao momento do gol. Quando é assinalada uma penalidade máxima, os árbitros de vídeo verificam o lance e confirmam para o árbitro de campo. Com isso, ele decide se irá ver o lance por vídeo ou se sua decisão será mantida.

CARTÕES VERMELHOS

Em lances passíveis de cartão vermelho, os responsáveis pelo VAR no jogo olham o lance, falam com o árbitro dentro das quatro linhas. Caso ele tenha dúvidas sobre a procedência do ocorrido, ele ouve o que os árbitros de vídeo dizem, e pode ainda olhar a televisão com a imagem do ocorrido para tomar a decisão sobre a aplicação ou não do cartão vermelho.

IDENTIFICAÇÃO DE JOGADORES

Com a velocidade e intensidade das partidas, em alguns lances, há grande aglomeração de atletas, que pode dificultar a visão do árbitro. Com isso, ele pode ter dúvidas sobre quem fez uma falta, um toque de mão, um pênalti ou até no momento do gol. Com isso, ele tem a opção de acionar o VAR, tanto por rádio, como para verificar a imagem, a fim de tomar a decisão correta no lance.

Funcionamento do VAR

1° Momento: ocorre o lance, como uma falta, por exemplo;

2° Momento: a arbitragem de vídeo confere o lance, e fala com o árbitro de campo, que sinaliza para os jogadores e para a televisão sobre a conversa colocando a mão no ouvido onde está o fone. Sim, juiz não coloca a mão na orelha para escutar melhor, mas para sinalizar a todos que está se comunicando por rádio. Depois da 'conversa', o árbitro, que é sempre o responsável pelas decisões, resolve se vai até a TV do lado do campo ou se irá decidir com o que falou com os responsáveis na sala do VAR. No caso dele precisar ir ver a imagem do lance, ele faz o sinal de uma televisão com as duas mãos, mostrando que irá utilizar o recurso;

3° Momento: o árbitro assinala se a falta foi para cartão vermelho ou não.

 

Lances onde o VAR não deve ser utilizado

Como em qualquer partida, a comissão do apito gera diversas reclamações, tanto dentro, como fora de campo. Jogadores, treinadores e torcedores, a cada decisão do trio de arbitragem contestam as decisões dos responsáveis. Com a arbitragem de vídeo, a expectativa era que se encerrasse a polêmica com os árbitros. Porém, ao contrário do que se esperava, agora existem outros assuntos que estão sendo discutidos dentro dos jogos.

Se antes a dúvida era sobre a marcação correta ou incorreta nos lances, agora os questionamentos pairam sobre o processo de decisão da arbitragem de vídeo. Entretanto, isso vem acontecendo, não só pelo desconhecimento das regras por parte do torcedor, que pressiona a arbitragem, mas também pela falta de compreensão dos atletas, comissões técnicas e também de alguns assopradores de apito.

Além disso, ex-árbitros, comentaristas de arbitragem e outros profissionais ainda questionam a utilização do VAR. Em princípio, a Fifa instaurou que a revisão poderia ser feita somente em lances diretos, ou seja, se a bola entrou ou não, se as jogadas foram dentro ou fora da área, entre outros que não fossem interpretativos. Contudo, ficou claro que lances de interpretação tem que ser revisados também. Mas não há certezas nesses momentos do jogo, com isso, aparecem os virtuais erros, mesmo com a consulta as imagens.

Principalmente no Brasil, onde a arbitragem não é profissional, ou seja, os árbitros são obrigados a ter outra profissão e cuidar de sua própria preparação, estão ocorrendo diversos problemas. O primeiro deles é o tempo para a revisão. Enquanto na Europa, a média é entre um e dois minutos, os assopradores de apito brasileiros chegam a precisar de oito minutos (isso mesmo), para realizar uma conferência. Não há tempo limite na regra, mas com toda a certeza os árbitros brasileiros estão demorando demais para tomar as decisões. Além disso, alguns deles estão aplicando cartões amarelos utilizando o VAR, como na final do Campeonato Mineiro. Esse é um dos exemplos de utilização fora do protocolo.

Como no futebol brasileiro há a cultura da reclamação, jogadores e treinadores, a cada lance, pressionam a arbitragem para que eles revejam o lance na televisão ao lado do gramado. Esse ato é proibido e passível da aplicação com cartão amarelo.

 

O VAR dará certo no Brasil?

Sem dúvidas, o Brasil é um dos locais com a pior arbitragem do mundo. Porém, por não ser profissional, há justificativa para isso. Contudo, a cultura do futebol no país, de reclamação a cada lance, da torcida pressionando a arbitragem, além dos despreparo dos árbitros, faz com que a adaptação do futebol brasileiro ao VAR seja mais complicada que em outros lugares. Contudo, a tecnologia é algo que a cada dia que passa, invade todos os locais, e no futebol não seria diferente. Jogadores usam GPS durante a partida, para verificar seus passos, distância percorrida, e conferem até o teor de sódio do suor durante o jogo para saber o quanto esses atletas estão desgastados.

Com isso, o VAR chegou para ficar e, além disso, para cumprir a sua principal função, que é garantir que a arbitragem não interfira no jogo ou resultado da partida, apesar que no momento é o que mais ela vem fazendo.

 

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