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Arte na Universidade

Nota-se, porém, de forma difusa, uma desconfiança com relação à arte: pra que serve a arte?


A Univates promoveu, na quarta-feira, a segunda edição do Arte na Universidade, evento que contou, ao longo de todo o dia, com oficinas de pintura, de dança, de escrita criativa, apresentações de música e teatro, saraus poéticos, mostras e debates. O evento veio consolidar o movimento que a universidade tem realizado no sentido de valorizar a arte como elemento fundamental da formação de seus estudantes, por meio do desenvolvimento da sensibilidade e da criatividade. Nota-se, porém, de forma difusa, uma desconfiança com relação à arte: pra que serve a arte?

A pergunta pela utilidade da arte sempre houve, assim como tentativas de integrá-la, de alguma forma, ao sistema produtivo. Por exemplo, oferecê-la como mercadoria, como bem de consumo para que possamos recarregar nossas energias e assim produzir mais e melhor. Além, naturalmente, de consumir todas as mercadorias associadas ao produto artístico: vejo o filme, mas vou querer também as camisetas, os bonecos e todas as bugigangas com a marca do filme.

Por isso, a arte, para manter sua essência, deve preservar sua inutilidade, pois ela existe justamente para nos lembrar que não somos apenas seres produtivos em busca da sobrevivência. Em algum momento da história, o ser humano se deu conta de que havia um sentido na existência que vai além do imediato. Isso vai se expressar pela religião, mas também pela arte. Esta pode ter, sim, um sentido terapêutico, ao equacionar esteticamente o caos da vida cotidiana. Porém, ela deve ter hoje a intenção de desacomodar, de incomodar até. As discussões, tempos atrás, sobre a moralização da arte mostram a resistência à ideia de arte como subversão. Subverter significa aqui relativizar a forma como encaramos a realidade, colocar o pensamento e a sensibilidade contra si mesmos: por que penso e sinto assim?

Com um evento como o Arte na Universidade, é possível propor essa experiência transformadora, mas ela não pode se esgotar nesse momento, de forma institucionalizada. Cumprimos nosso papel como estimuladores do processo, mas é preciso, como disse a professora Josélia Ferla no Teatro da Univates na quarta-feira, é preciso criar um movimento. Esse movimento é o que pode criar novos olhares e novas perspectivas para o futuro.


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