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"O que eu mais quero é que o Brasil se recupere"

Jornalista Daniel Scola esteve em reunião-almoço na Acil e falou sobre o papel da comunicação no atual cenário político


- Karolaine Pereira

Lajeado | A Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) recebeu ontem a palestra do jornalista, gerente executivo de jornalismo da Rádio Gaúcha e apresentador do Gaúcha Atualidade, Daniel Scola. Empresários e políticos lotaram o salão da Acil para ouvir a apresentação do profissional sobre o tema "Cenário atual, política e comunicação". Dentre os assuntos abordados, ele tratou o momento vivido pela imprensa, contas e privatizações do governo Estadual e o caso envolvendo a divulgação de conversas do ex-juiz Sérgio Moro.

O profissional destacou o papel da imprensa, que trabalha com o intuito de traduzir para a população o momento em que passa o país. Ele ressaltou que a comunicação vive mudanças constantemente, mas precisa manter sempre a credibilidade. "Só quem vai sobreviver neste contexto, é quem tem credibilidade. Se a gente pender para um lado ou para outro, não vamos sobreviver", diz.

O jornalista também rebateu críticas feitas pela população, que diz que a imprensa torceria contra os avanços no Brasil. "O que eu mais quero hoje é que o Brasil se recupere e se desenvolva". Justamente devido ao cenário político, ele comenta que a comunicação tem a responsabilidade de se certificar das informações e oferecer pontos de vistas diferentes para o público. "Eu não vim aqui para fazer uma defesa cega do meu setor. Mas, eu acho que a imprensa nunca foi tão necessária como agora", enfatiza.

A presidente da Acil, Aline Eggers Bagatini, destacou, na abertura do evento, o papel relevante da comunicação na atualidade e a importância da palestra do jornalista, que teve como intuito ampliar o poder de percepção e análise dos assuntos. "O cenário político brasileiro vive um momento de intenso debate. Em pleno processo de votação da Reforma da Previdência. Por isso, mais do que nunca os meios de comunicação assumem o papel de saber distinguir o que é fato do que precisa ser descartado por falta de fundamento", disse. No evento, também houve espaço para os participantes fazerem perguntas ao jornalista. A intermediação foi feita pela presidente da associação, Aline e pela coordenadora de Jornalismo da RBS TV dos Vales, Francine Rabuske.

Foto: Karolaine Pereira 

Eduardo Leite

Scola ressaltou que as forças políticas do Rio Grande do Sul acordaram para a situação financeira do Estado. Segundo ele, hoje o RS trabalha praticamente para pagar a folha do funcionalismo - cerca de 70% do valor arrecadado. O jornalista elogiou o governador Eduardo Leite (PSDB), que conseguiu derrubar a necessidade de plebiscito para privatizar estatais. "O governador está tendo uma habilidade enorme para encontrar um consenso no momento que a gente está vivendo", elogiou.

Lava-jato
O jornalista também falou sobre a Lava-Jato. Segundo ele, a operação é a ação mais importante feita no País no combate à corrupção. "O papel que a Lava-Jato desempenha para o Brasil é histórico", disse. Ele destaca que os vazamentos das conversas entre o ex-juiz Sérgio Moro e o chefe da força-tarefa da Operação Lava-Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, não comprometem a operação. "Não surgiu nada que possa anular sentenças". No entanto, destaca que Moro deveria ter se preservado mais. "Deveria ter ficado no cargo de juiz até a última sentença da Lava-Jato". O jornalista também elogiou os procuradores da operação, especialmente, os que são do Rio Grande do Sul. "Tenho certeza que eles nunca iam inventar uma prova para incriminar alguém", finaliza.

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