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"Precisamos de uma previdência que valha para todo mundo"

Ex-presidente do INSS, o empresário e advogado Mauro Hauschild, afirma que reforma da Previdência deve contemplar também servidores estaduais e municipais

Créditos: Kassieli dos Santos, Cristiano Duarte
- Lidiane Mallmann

O início da votação em segundo turno da proposta de reforma da Previdência na Câmara dos Deputados ocorre no dia 6 de agosto. Neste data, os parlamentares vão debater a inclusão ou não da regra para servidores de estados e municípios. Para o ex-presidente do INSS, o empresário e advogado Mauro Hauschild, a diferença na legislação entre servidores federais, estaduais e municipais pode causar uma miscelânea jurídica.
"Se os estados e municípios legislarem sobre suas Previdências e não derem conta de pagar os seus aposentados, a União terá que arcar com estes custos. E quem sustenta o governo federal é o cidadão. Precisamos de uma previdência que valha para todo mundo", resume Hauschild.
Na noite de ontem, ele palestrou à prefeitos e vice-prefeitos da região em sua propriedade, na localidade de Sanga Funda, em Bom Retiro do Sul. O tema do evento foi "Aspectos da Reforma da Previdência.
"Hauschild é um filho de nossa terra. Uma autoridade sobre o assunto de Previdência", enfatiza o prefeito de Bom Retiro do Sul por Mauro ser natural da cidade.
O palestrante enfatizou a importância de que representantes de municípios e estados deixam de lado o viés político e encarem a reforma da Previdência com a seriedade que precisa ser feita.
"A taxa de natalidade caiu e as pessoas estão vivendo mais. Muitas estão vivendo igual o mais do que o período que contribuíram. É difícil manter benefícios para tanta população. Nosso maior problema na aprovação desta regra é política e não jurídico. Governadores não querem intervir para não problematizarem seus eleitores e nos municípios, que terão eleições no ano que vem, não é diferente", enfatiza.

Presidente da CIC Vale do Taquari apoia a reforma

O Presidente da Câmara da Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC Vale do Taquari), Pedro Antonio Barth é favorável à reforma da previdência. O empresário destaca o estabelecimento de uma idade mínima maior para aposentadoria como uma das principais correções. Além disso, acredita que aliada à reforma tributária, viabilizará novos investimentos no país, atraindo investidores, possibilitando uma mudança no cenário econômico. "Todo empresário quando tem problemas, parte para reformas, isso é comum. O país é como uma grande empresa. Se não mudarmos não haverá mais aposentadoria daqui muitos anos", destaca. Para Barth, a reforma da previdência busca maior igualdade entre a área pública e privada. "Há uma diferença muito grande entre área pública e privada. Estamos lutando por uma igualdade. Enquanto um deputado se aposenta com alto valor, um empresário que emprega muitas pessoas se aposentará com um valor menor, não se justifica isso", comenta.

Advogado aponta questões prejudiciais

Advogado Edson Kober é contra a reforma da previdência da maneira como está sendo proposta. Para Kober, as mudanças afetam majoritariamente a população com menor poder aquisitivo e também incidirão sobre a economia do país. "É prejudicial tanto do ponto de vista de proteção social aos trabalhadores, como na distribuição de renda. Nosso sistema econômico precisa de renda. As pessoas mais pobres sofrerão com a reforma da previdência", comenta. Destaca que as reformas de atualização são necessárias em uma sociedade organizada, contudo, ressalta a importância de uma interação social maior. "Haveriam outras alternativas, como taxar mais o lucro dos bancos, do grande capital. Algumas questões teriam que ser atualizadas, mas não dessa forma, sem uma discussão mais ampla", comenta.

 

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