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A cegonha mais perto de casa

Várias serão as visitas dela ainda neste ano para realizar sonhos de mamães e papais

Créditos: Rita de Cássia
CRH: profissionais em reunião de discussão e análise de caso - Lidiane Mallmann

Lajeado - Ouvir o coraçãozinho do bebê. Ver a barriga crescendo. Esperar a chegada de um ser tão especial. Olhar nos olhinhos. Ver mãozinhas e pés pequeninos. Emoções indescritíveis para quem já viveu, vive ou sonha em ter um filho. Cada vez mais casais ou pessoas que desejam ser pais têm como aliadas a tecnologia e profissionais especializados. Quando o assunto é reprodução humana assistida, Lajeado e região podem se considerar privilegiadas. Prestes a completar um ano, no mês de maio, o Centro de Reprodução Humana do Hospital Bruno Born encurtou caminhos, não apenas geográficos, mas aproximou ainda mais as oportunidades de realização de tratamentos até então oferecidos somente em grandes centros. A maior procura ainda é de pacientes de Lajeado, mas já são mais de 40 cidades atendidas, incluindo pessoas de Santa Catarina e São Paulo.

Desde que começou suas atividades em 2018, mais de 1,2 mil atendimentos já foram realizados - sendo que a fertilização in vitro por injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) está entre as técnicas mais procuradas. O centro conta como uma equipe altamente qualificada e técnicas avançadas que figuram entre as tendências mundiais. Os resultados já estão aparecendo, seja com a alegria do nascimento do primeiro bebê fruto de uma fertilização in vitro, ou seja pelas várias visitas que a cegonha ainda fará neste ano, pois cerca de 30 mulheres estão grávidas após tratamentos no CRH.

A equipe do Centro de Reprodução Humana é composta pelos médicos ginecologistas Marcos Höher, Silvio Pulita, Paulo Fagundes e Fernando Bertóglio; o urologista Douglas Bohnenberger, e médico geneticista André Anjos dos Santos, todos com atuação na área de reprodução humana. Conta ainda, com os biomédicos embriologistas Betina Iser, Dalana Faleiro e David Kvitko, além de outros profissionais.


Um menino

A emoção de ter o filho nos braços tão sonhada por um casal da região já é realidade. São os pais do primeiro bebê gerado a partir de fertilização in vitro do Centro de Reprodução Humana do Hospital Bruno Born. O menino nasceu em 21 de março, pesando 3,24 quilos e medindo 48 centímetros, por meio de cesárea realizada pelo médico Sílvio Pulita e equipe. O casal já tinha realizado tratamentos em clínicas de Porto Alegre, sem sucesso. Na primeira tentativa em Lajeado, o resultado foi positivo.

A família, que pediu para não ser identificada segue feliz após um mês de vida nova. A mãe quase não acreditou quando recebeu a confirmação da gravidez. "Foi uma felicidade imensa. Ao mesmo tempo parecia não ser verdade que aquela aflição tinha acabado e saber que dali em diante poderíamos relaxar e curtir", conta. "Preparamos tudo de melhor que podíamos oferecer a ele. Ainda bem que toda gravidez transcorreu de maneira extremamente tranquila. A sensação de estar com meu filho nos braços é maravilhosa e inexplicável. Todas as dificuldades enfrentadas são facilmente superadas e com a certeza de que tudo valeu a pena", comemora. Além de toda a alegria, papai e mamãe também fazem parte da história do CRH, pois foi com eles uma das primeiras consultas, além da primeira da fertilização in vitro, gravidez e nascimento.


Análise genética pré-implantacional

Está por nascer o bebê da primeira paciente que fez fertilização in vitro com análise genética dos embriões. Ou seja, os pais já sabiam antes do embrião ser colocado no útero, se este era cromossomicamente normal. "É a chamada biópsia embrionária e análise cromossômica pré-implantacional. Das pacientes que fizeram a transferência embrionária de embrião euplóide, a maioria está grávida", explica o médico Marcos Höher. Em geral, este tipo de tratamento é procurado devido a idade materna avançada (do ponto de vista reprodutivo), em média 35 anos ou mais; casais que fizeram outras fertilizações in vitro e não engravidaram; ou casais que engravidam e sofrem abortos de repetição."Os laudos mostram se os embriões são cromossomicamente normais, por consequência o sexo do bebê, e até mesmo se há alterações que não permitirão a evolução da gravidez ou que possam vir a provocar a perda gestacional", destaca Höher.


Doação de óvulos

Além da biópsia embrionária, outro tratamento que tem sido procurado cada vez mais é a fertilização in vitro de óvulo doado. Conforme o médico Marcos Höher, em 2007, em todo EUA, foram cerca de 1,5 mil ciclos de fertilização in vitro de óvulo doado. Em 2016, nove anos depois, aproximadamente 70 mil. "Essa também é uma realidade da região. Cada vez mais as pessoas estão buscando este tipo de tratamento. A doação compartilhada de óvulos permite a redução dos custos do tratamento para a doadora, o que tem aumentado a busca pela doação. Em breve ocorrerão os nascimentos dos bebês, tanto da doadora de óvulos, quanto da receptora", explica.

O médico também destaca que quando os assuntos relacionados à reprodução assistida passam a ser divulgados nas mídias, a aceitação das pessoas e o receio de tornar público o tratamento vão diminuindo. "Embora ainda hajam restrições por parte dos pacientes, aos poucos isso deve mudar. As divulgações dos casos por parte dos pacientes são importantes pois ajudam para que as pessoas vejam que isso é mais comum do que se imagina. Por parte da clínica, as informações sobre os tratamentos são totalmente resguardadas e respeitadas", esclarece. Há também uma certa resistência quanto à utilização dos óvulos doados. Muitos casais não admitem material genético de outras pessoas, mas há casos em que só desta forma o sonho de ter um bebê se tornará realidade. Conforme Höher, uma vez feito o tratamento, a partir da confirmação da gravidez e da primeira ecografia, as ressalvas ficam no passado.

Existem regras específicas para a doação de gametas ou embriões. Em países como EUA e Espanha é permitida a comercialização de gametas. Os interessados podem entrar em sites de bancos de doadores e ver o valor a ser pago. No entanto, no Brasil e na maioria dos países, não é permitida a comercialização de óvulos. Em nosso país a doação não pode ser de caráter lucrativo ou comercial, somente voluntário; os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa.


Embriologistas

O médico tem a função de atender os casais, fazer a punção, mas são os embriologistas que realizam a aproximação entre óvulo e espermatozoide, e acompanham o desenvolvimento, dia a dia, do embrião. "São eles que fazem a seleção dos embriões, veem a vida humana desde o princípio, os tiram da estufa e nos alcançam em um cateter. Nós então os colocamos e vemos a gota no útero. É muito bom depois de tudo, pegar o bebê no colo e saber que tivemos participação naquele nascimento", afirma o especialista em reprodução humana, Marcos Höher. O trabalho do embriologista é de grande responsabilidade. "É um trabalho que requer muita organização e concentração", destaca Höher.

Para a biomédica embriologista, Dalana Faleiro, a experiência do nascimento do primeiro bebê gerado a partir de fertilização in vitro pelo CRH é ainda mais marcante: é o primeiro tratamento do qual teve participação. "Nós sempre ficamos na expectativa de conseguir alcançar esse sonho das pessoas e é muito gratificante quando percebemos que realmente conseguimos auxiliar. Muitas vezes, a vontade dos casais é muito grande de ter filhos, e a felicidade é imensa quando dá certo. É muito bom poder participar desse momento. A gente espera quase como se fosse da família para ver aquela criança nascendo com saúde. É recompensador poder proporcionar isso para as famílias e nos tranquiliza saber que nosso trabalho está dando certo", afirma Dalana.


CRH

O Centro de Reprodução Humana (CRH) conta com salas de espera individuais - onde cada paciente ou casal tem mantida a sua privacidade - e ambientes para aqueles que queiram descansar antes de retornar à sua cidade de origem. São oferecidos serviços como diagnóstico da causa da infertilidade e os respectivos tratamentos: aconselhamento e planejamento reprodutivo; avaliação da reserva ovariana; preservação da fertilidade por meio de congelamento de óvulos, espermatozoides e embriões; diagnóstico embrionário de doenças cromossômicas/genéticas; fertilização in vitro; inseminação intrauterina; monitorização de ciclo espontâneo; histeroscopia diagnóstica e cirúrgica; identificação das causas de abortamento e prevenção da sua recorrência; medicação necessária para os tratamentos e outros. Os tratamentos variam de R$ 750 a R$ 30 mil, de acordo com a complexidade.


Números

Primeira consulta: 4 de junho de 2018
Procedimentos/atendimentos: mais de 1,2 mil
Mais procurados: fertilização in vitro por injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI)
Cidades/Estados: mais de 40 cidades do Vale, SC e SP
Média de idade: 37 anos
Quantas estão grávidas: 30 mulheres
Primeiro nascimento: 21 de março de 2019 (menino)

 

 

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