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A origem de um bairro

Construção que deu nome ao Igrejinha é resultado da dedicação da família Etgeton

Créditos: Matheus Aguilar
O começo: registro feito em 1939, quando foi celebrado o primeiro culto na igreja - arquivo

Lajeado - Oficialmente, o Bairro Igrejinha foi criado por lei municipal de 27 de setembro de 1995. A construção que se tornou referência para a nomenclatura, entretanto, é bem mais antiga. Mais precisamente, a obra foi concluída 56 anos antes, em 1939. Foi lá, há 79 anos, que a família Etgeton ergueu a primeira Igreja Adventista do Sétimo Dia em Lajeado. Graças à dedicação dos irmãos Willibaldo, Theobaldo e Olmiro Etgeton, com apoio do patriarca, Jorge Frederico, a obra foi realizada. A igrejinha, carinhosamente chamada assim por causa do tamanho, virou ponto de referência tão importante que, quando da regularização dos lotes, a própria comunidade decidiu nomear o bairro em homenagem ao prédio. Filha de Willibaldo, Marisa Scherer (64) hoje cuida da capela. Ela lembra o que ouvia a família contar sobre a construção. "Teve muito suor. Meu pai ia até Forquetinha de carroça para buscar os tijolos, já que não havia olaria aqui", revela.

Nos primeiros anos, a igreja também era uma escola. As aulas eram ministradas por Alma Felau, segundo recordações de Marisa. "Não havia escola perto, então a capela serviu de sala de aula por aproximadamente dez anos", destaca. Quando a professora mudou de cidade, o educandário deixou de existir. Mesmo com toda a importância da igreja para a região, houve um tempo em que se cogitou derrubá-la. Conforme Marisa, foi seu pai, Willibaldo, que impediu que isso ocorresse. "Queriam construir uma nova igreja mais para o Centro e aí terminariam com essa. Meu pai, que nessa época já tinha uma olaria própria, doou os tijolos para que fizessem a nova com a garantia de que esta permanecesse de pé", revela. Apesar disso, a capela permaneceu fechada por um tempo.

 

Arquitetura mantida

A estrutura original está mantida, com pequenas reformas, como colocação de um forro de PVC e pinturas interna e externa. "Inclusive na última pintura se perdeu a inscrição que tinha no alto da fachada, com o ano de inauguração. Não houve cuidado e pintaram por cima", lamenta Maria Scherer. Na parte interna, os antigos bancos de madeira com suporte para tinteiro foram substituídos por novos, mais confortáveis, almofadados. "Tivemos que trocar porque os cupins estavam danificando os antigos", explica. Um pequeno púlpito e uma tela para projeção complementam o interior da igrejinha. Agora, no período natalino, um presépio está montado. Para a filha de um dos idealizadores da obra, a sensação de chegar ao templo é de alegria. "Me sinto super bem, por saber que venho para ter encontros com Deus", descreve.

 

Lembranças

Quando Marisa Scherer nasceu, a escolinha já não funcionava mais na igreja. Mas muitas são as lembranças da infância e do que aprendeu ali. "Sentávamos juntos, toda a família e acompanhávamos o culto. Cantávamos os hinos. Havia um local, atrás da igreja, onde as crianças sentavam em banquinhos e uma professora nos ensinava sobre Deus. Pegávamos um sol agradável ali. Até hoje lembro de um dos hinos que esta profe ensinou", conta.
Uma imagem marcante para ela é a do avô, Jorge Frederico Etgeton. "Ele tinha as chaves. Era o primeiro a chegar e o último a sair." Hoje elas estão com Marisa.

 

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