Geral

A urgência da emergência

Incansável esforço pelo atendimento ágil e pela vida

Créditos: Rita de Cássia
Durante o plantão de 12 horas em que a equipe de reportagem do Jornal O Informativo esteve na Emergência do HBB, foi possível observar o sincronismo necessário para a evolução dos atendimentos

Lajeado - Quando o telefone toca e uma ambulância chega ao setor de Urgência e Emergência do Hospital Bruno Born (HBB) há uma equipe especializada e toda uma estrutura que não para durante 24 horas, todos os dias e noites. As salas específicas têm funções fundamentais na logística dos atendimentos: sala vermelha (reanimação), sala crítica, salas de observação, farmácia, bancada de computadores - onde os médicos e enfermeiros acompanham as evoluções dos pacientes - sala de classificação de risco e sala de espera.
Todas elas precisam estar bem organizadas para que os fluxos sejam atendidos de forma ágil pelos profissionais. É uma sincronia. É onde a dor e o alívio andam próximos. A qualquer momento chega um novo caso grave. Vítimas de acidentes, infartados, baleados. Alguém entre a vida e a morte. O foco é salvar. Por isso, casos menos graves devem procurar assistência na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou postos de saúde. A terceira e última reportagem da série apresenta diferentes situações em que a equipe precisa de total concentração e sincronismo. O plantão de 12 horas foi acompanhado de perto pela equipe do Jornal O Informativo do Vale das 19h de sexta-feira (5) e 7h de sábado (6). "A sexta-feira foi um pouco mais agitada do que o normal. Mas não teve acidentes e isso foi bom. Mesmo assim foi uma madrugada tensa pelos tipos de casos na sala crítica", afirma médico plantonista Fábio Fraga.

Sob pressão
Para atuar no setor de Emergência o profissional precisa de conhecimentos técnicos e treinamento para trabalhar sob pressão em situações complexas de pessoas com parada cardíaca, fraturas expostas, baleadas, entre outros casos. "Precisa ser bem qualificado, estar com a cabeça boa e gostar do que faz porque nunca sabemos o que vai entrar pela porta. Quando chega o paciente, nos preocupamos muito em atender com agilidade, profissionalismo e ética", explica a enfermeira coordenadora, Rosa Lemos. Ela trabalha há 29 anos no HBB, 15 deles na Emergência. "Um dos momentos de maior sentimento de recompensa é olhar no monitor e ver um traçado cardíaco mostrando que um paciente que chegou clinicamente morto voltou à vida", destaca. Mas também há momentos de pesar. "É muito triste quando uma mãe desesperada entrega o filho nos teus braços, tentamos de tudo sem conseguir sucesso. E ainda precisamos olhar para os pais e contar que ele morreu. A atmosfera muda. Todos sentem-se frustrados e muito tristes. Mesmo com experiência, nos sensibilizamos para contar aos familiares."

Sexta-feira (5) 23:22
Chega um dos casos mais tensos da noite. Ambulância da UPA chega com paciente em estado grave. Ele sofreu uma forte queda, bateu a cabeça e sangrava bastante. Estava em surto e com suspeita de traumatismo craniano. O homem de 32 anos, de Lajeado, foi levado direto para a sala 1 (vermelha). Foram necessários sete profissionais para contê-lo, para que pudesse ser examinado e medicado. Anteriormente, ele havia sido levado para a UPA pelo Samu. Às 23h50min, encaminhado para tomografia; às 23h58min, levado para a sala 2 (crítica). Às 6h34min, novo surto e equipe mobilizada para acalmá-lo. Em casos como este ou semelhantes, a sintonia do grupo é imprescindível e garante o rápido restabelecimento da tranquilidade necessária também aos demais atendidos no local.

 

Sábado (6) 01:05

Já é madrugada. A solidão e o cansaço na sala de espera se misturam à angústia por boas notícias. De olho no relógio ou debruçada nas cadeiras uma familiar que acompanha o paciente de Dois Lajeados com suspeita de infarto tenta manter a serenidade em meio a um turbilhão de emoções.

 

Sábado (6) 04:15
Após confirmação de bactéria resistente, paciente é encaminhado para internação no setor de isolamento do Hospital Bruno Born. Enfermeiras utilizam procedimentos e vestimenta especial para evitar o contágio delas próprias e de outros pacientes.

24 horas
Após exames e avaliações do médico plantonista, uma planilha orienta enfermeiros e técnicos e enfermagem sobre os tipos de medicamentos de dosagens a serem ministradas a cada paciente. Os remédios são retirados na farmácia 24 horas que funciona junto ao setor de Emergência. 

Sincronismo
Durante o plantão de 12 horas, em que a equipe de reportagem do Jornal O Informativo do Vale esteve na Emergência do HBB, foi possível observar o sincronismo necessário para a evolução dos atendimentos. Cadastro, exames e medicações seguem um cronograma criado de forma individual para cada paciente, e simultânea aos demais assistidos no setor. Parte da noite e madrugada, salvo exceções de profissionais com cargas horárias diferentes, a equipe diretamente ligada ao trabalho era formada pelo médico plantonista, Fábio Fraga; médica reforço, Thricy Dahmer; enfermeiros Daiane Bezerra e Leandro Diniz; técnicos de enfermagem, Leandro Toledo, Chaiane Oliveira e Solange Garcia; farmácia, Valdinei Monteiro; estudantes de Medicina da Univates, Thamires Helfer (8º semestre) e Helena Ederich (10º semestre); gessista, Mário Sérgio Lima da Silva; recepção, Bruna Brettim; higienização, Vileidi Oliveira de Lima; vigilantes, Fabiano Farias, Sílvio Ramos dos Santos e Márcio Rogério Mendonça. Além de médicos especialistas em várias áreas que atuam em regime de sobreaviso.

Os casos
20h45min - senhora de 65 anos, de Canudos do Vale, dor torácica e pressão alta
21h42min - chega ambulância da prefeitura com paciente para fazer medicação
21h30min - encerra expediente da médica plantonista reforço
22h08min - senhora de Canudos do Vale faz exames
22h15min - chega paciente encaminhado pela UPA
23h22min - chega ambulância da UPA com paciente em surto e suspeita de traumatismo craniano
0h32min - entrada de paciente encaminhada ao Centro Obstétrico
0h35min - chega paciente de Arroio do Meio vítima de acidente de trânsito
2h - encerra expediente de um dos enfermeiros
2h10min - médico Fábio Fraga avalia dez pacientes
2h15min - plantão a cargo de um médico, um enfermeiro e dois técnicos
Entre 2h30min e 3h35min, a situação fica mais tranquila no que diz respeito a chegada de ambulâncias, mas a atenção da equipe permanece voltada aos pacientes da sala crítica e da observação.
3h35min - chega paciente para triagem, com sintomas de alergias
4h15min - internação de paciente encaminhado para setor de isolamento do HBB
5h34min - chega ambulância de Bom Retiro do Sul para buscar paciente para transferir a Porto Alegre
6h - paciente retorna para receber medicação
6h34min - novo surto de paciente
6h40min - 11 pacientes continuavam em observação (dois deles na sala crítica)
Antes de encerrar seu plantão, às 7h30min, o médico Fábio Fraga faz nova avaliação geral dos pacientes para possíveis altas, internações ou novos exames. 

 

 

 

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