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Ação contra o frio leva atenção a moradores de rua

A reportagem de O Informativo do Vale acompanhou uma noite de trabalho das equipes da prefeitura

Créditos: Caroline Garske
Funcionários da Sthas e da Defesa Civil realizaram abordagens convidando os moradores de rua a se abrigarem no São Chico - Caroline Garske

LAJEADO | O final de semana mais frio deste inverno foi aquecido pela iniciativa desenvolvida pela Secretaria do Trabalho, Habitação e Assistência Social (Sthas), que contou com apoio da Defesa Civil, Secretaria da Saúde (Sesa), Brigada Militar e Abrigo São Chico. De sexta-feira a domingo foram realizadas ações em horário diferenciado para evitar que pessoas em situação de vulnerabilidade social permanecessem nas ruas e ficassem expostas às baixas temperaturas.

Nos três dias, das 20h à maio-noite, servidores fizeram rondas passando por praças, parques e locais frequentados por moradores de rua para orientá-los e conduzi-los ao Abrigo São Chico. "Abordagem de rua à noite é uma ação que a secretaria já costuma fazer, mas com essa intensidade de ficar, inclusive no final de semana, é um diferencial devido a estas baixas temperaturas", explica a assistente social e titular da Sthas, Céci Gerlach.
Um plantão na sede da Sthas também foi montado para prestar orientação e encaminhar as pessoas em situação de rua. A Defesa Civil disponibilizou um veículo para transportar cobertores, roupas e calçados e distribuí-los aos moradores de rua que insistiram em permanecer fora de locais abrigados.

Noite de sábado, 6 de julho, 5ºC
Na noite de sábado, a reportagem de O Informativo do Vale acompanhou a equipe da Sthas e da Defesa Civil por alguns pontos da cidade em busca de moradores de rua que quisessem se abrigar no São Chico.

20h - Reunião da equipe



O termômetro marcava 5ºC, mas a sensação era de pelo menos 2ºC. Às 20h, uma equipe de funcionários da Sthas e da Defesa Civil se reuniu na sede da secretaria para dar início ao planejamento das ações daquela noite. A Secretaria de Saúde (Sesa) ficou de sobreaviso caso fosse necessário atendimento de saúde.


20h30min - Doação



Entre ligações e mensagens de WhatsApp da comunidade avisando que tem roupas para doar, a assistente social e titular da Sthas, Céci Gerlach, vai orientando. "Mais um dizendo que tem uma caixa para doar. Quem pode buscar?", questiona, por volta das 20h30min. Prontamente, o motorista Ricardo entra na caminhonete e vai até o Bairro São Cristóvão. Quem realiza a doação é o advogado Flávio Rodrigues (55). "Blusões, calças, um monte de coisa. É coisa boa, não é nada velho", comenta Rodrigues. As doações recebidas pela Sthas e pela Defesa Civil são encaminhadas ao abrigo.

21h - Últimos detalhes antes de sair


Às 21h, o itinerário das abordagens está pronto e a equipe se organiza para sair. "Passamos pela Praça do Chafariz, vamos na Praça da Matriz - que é a mais demorada porque tem mais pessoas e a gente tenta convencer eles a ir para o abrigo -, nos arredores da Matriz, tem alguns lugares que a gente vai também", comenta a assistente social e coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Ana Paula Ely. Além das praças, a equipe também conta com a ajuda da comunidade, que informa em quais lugares há pessoas dormindo nas ruas. Esses locais também foram visitados pela equipe de abordagem.
Neste final de semana de frio intenso, o Abrigo São Chico disponibilizou 12 vagas a mais que o comum, que é de 44. A maioria dos abordados prefere ficar na rua. "O grande problema é que eles estão sob efeito de droga ou de bebida e eles querem ficar", explica Ana Paula, que reitera que o sucesso destas ações dependem da comunidade ligar para dizer onde eles estão dormindo.

21h10 - Início das abordagens


Passado das 21h, a equipe sai da sede da Sthas em direção à Praça do Chafariz. Os carros não andam nem uma quadra e já encontram uma mulher, usuária de drogas, que é abordada e questionada se quer ir para o São Chico. Com um cobertor enrolado debaixo do braço, ela se recusa e sai caminhando no meio da rua, entre os carros.
Na primeira parada, na Praça do Chafariz, ninguém é encontrado e a equipe segue direto para a Matriz. Lá, pelo menos 15 pessoas foram abordadas. Destas, sete foram para o abrigo e duas disseram que iriam mais tarde. "Cinco são ambulantes e dois artesãos. Um de Joinville, que nos foi passado a informação por pessoa da comunidade de que ele estava dormindo em um prédio ao lado do jornal O Informativo. Ele aceitou ir para o abrigo", detalha Céci. A titular da Sthas afirma que a participação da comunidade é fundamental. "Recebemos muitas doações. Isso tem sido importante à medida que a comunidade está respondendo a esta questão tão delicada e complexa", declara.


Sopa para esquentar

(Fotos: Caroline Garske)

Durante as abordagens, um homem é visto oferecendo sopa para as pessoas em situação de rua da Praça da Matriz. Com um panelão dentro de um carrinho de mercado, Rodrigo Amarante Lima (34) serve copos de sopa nas sextas, sábados e domingos. "Eu saio por aí pedindo os mantimentos. Tem gente que ajuda, outros não. Tem gente que acha que eles são lixo, mas, para mim, eles são gente", afirma. Conforme o voluntário, o que o motiva é a palavra de seu Deus. "A palavra diz que a gente tem que ajudar o próximo. Não adianta só ir na igreja e não fazer o que Deus diz", afirma.

Doações
Doações serão recebidas pela Defesa Civil, que se encarrega de dar o destino apropriado. Cobertores, roupas masculinas como calçados, jaquetas, bem como roupas de cama e toalhas podem ser entregues junto à sede da Defesa Civil de Lajeado, localizada dentro do Parque do Imigrante. O horário para realizar a doação é das 8h às 11h30min, e das 13h30min às 16h45min, de segunda a quinta-feira. Na sexta-feira, o expediente é das 8h às 14h, sem fechar ao meio dia.

 

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