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Ações do Cipave diminuem índices de violência na escola Otília Corrêa

Pesquisa foi realizada com escolas do Rio Grande do Sul, no primeiro semestre de 2017

Créditos: Carolina Schmidt
- Lidiane Mallmann/arquivo O Informativo do Vale

Lajeado - O trabalho de prevenção à violência na Escola Estadual de Ensino Fundamental Otília Corrêa de Lima traz bons frutos. O que prova o resultado positivo é um levantamento da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Violência Escolar (Cipave) realizado no fim do primeiro semestre de 2017. A instituição está entre as escolas estaduais que conseguiu reduzir, de forma significativa, o índice de violência do Rio Grande do Sul.

Para a diretora da escola, Maristela Demarchi Secco, é uma conquista única que irá marcar a trajetória da comunidade escolar. "Ficamos muito orgulhosos com o resultado. Procuro sempre fazer a minha parte, em conjunto com os demais professores e equipe, da melhor forma possível. Nossa dedicação valeu a pena."

O programa Cipave é executado na escola desde o ano passado. Além de rodas de conversa com alunos e mediação de conflitos, oficinas de arte e xadrez, prática esportiva e cuidados com a horta escolar colaboraram para o resultado satisfatório na pesquisa.

De acordo com ela, a transformação da escola em turno integral foi fundamental para diminuir os índices de violência. Isto porque, quando os alunos passam mais tempo na escola, criam vínculos fortes e duradouros.

"Como passam grande parte do dia aqui, os estudantes acabam se unidos e interagindo. Nesse período de ensino integral, conseguimos criar regras e a prática da disciplina e respeito e todas as situações. Eles se reúnem com os professores e colegas para desabafar e expor os seus sentimentos. Saber ouvir os alunos também é uma ação muito importante e é uma das nossas maiores preocupações."

Pesquisa utilizou dez indicadores
A pesquisa, que colocou a escola Otília no destaque estadual, teve o resultado baseado na medição de dez indicadores relacionados à violência. Entre eles, o bullying e a depredação escolar. De acordo com a coordenadora da 3° Coordenadoria Regional de Educação, Greicy Weschenfelder, a escola é a única do Vale do Taquari a estar na lista dos primeiros lugares de redução dos índices.

De acordo com ela, o indicador de violência física chegou a 3% no primeiro semestre de 2017, enquanto que, no ano passado, estava em 10%. Em relação ao número de mediações de conflitos por desavenças e desrespeito registradas pela equipe pedagógica da escola, o número baixou para 10, sendo que em 2016 chegou a 35.

"O que chama atenção é que a escola tem o tempo integral há pouco tempo e com a implantação das ações da Cipave diminuímos o percentual em todos os segmentos avaliados. Isso é algo inédito e diferencial."

Na opinião de Greicy, a união dos professores, alunos, pais e parcerias foram essenciais para o bom resultado. "As ações surtem efeito quando existe a união, e a escola tem a humildade de solicitar ajuda. Quanto mais pessoas estiverem envolvidas nas ações de prevenção, melhor será o resultado. Sem as parcerias, nosso trabalho não seria possível."

Outros fatores que ela cita como colaborativos para a posição da escola na pesquisa, é a capacitação de professores para a mediação de conflitos com o Ministério Público e Coordenadoria e o engajamento do Vale do Taquari com ações relacionadas com a educação.

Portas para as parcerias
A coordenadora estadual da Cipave, Luciane Manfro, também celebra o resultado da escola. De acordo com ela, os índices eram preocupantes na instituição, principalmente, nas situações que envolviam o bullying.

"A forma como a escola mudou a questão de resolver os conflitos foi o grande diferencial. Com a inclusão das ações da Cipave, abrimos portas para as parcerias que têm outras visões. Hoje, damos voz aos alunos e, muitas vezes, eles precisam disso. O acolhimento dos estudantes mudou a realidade e trouxe novas perspectivas."

O que fez Luciane abraçar a coordenação estadual foi a sua experiência na área policial e na educação. Além de ser policial civil, ela também foi professora. Durante o dia, exercia as atividades na delegacia; e, à noite, nas escolas.

"Fazíamos palestras com alunos, sempre falando da temática do ato infracional e as consequências das ações. Conversei abertamente com eles sobre isso pensando na prevenção. A Secretaria Estadual de Educação tomou conhecimento do meu trabalho. Aceitei o desafio de presidir a Comissão e, hoje, estamos vendo os bons resultados."

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