Geral

Adrenalina sobre metal na lama

Empresário aposentado Joel de Mello Araújo lembra dos tempos de fundação do Jeep Club de Lajeado

Créditos: Julian Kober
LENDA: apaixonado por jipe e rally, Joel de Mello Araújo, o Mano, participou de várias competições e foi um dos fundadores do clube do Vale - Julian Kober

Lajeado - Os olhos do aposentado Joel de Mello Araújo (72), morador do Bairro Hidráulica, brilham ao falar do seu assunto favorito, o rally. No início da década de 1990, Araújo, conhecido como "Mano", foi um dos fundadores do Jeep Club do Vale do Taquari, criado para reunir os apreciadores de jipe da região, que até então pouco se encontravam e realizar provas nas estradas do interior.

Em seu escritório, Mano tem uma vasta coleção de fotos e objetos dos tempos em que esteve à frente do clube, além diversas revistas (nacionais e internacionais) sobre o tema e jipes em miniatura. Ele guarda com carinho uma jaqueta do Jeep Club que recebeu na década de 1990. Nem parece que a peça, que maneja com cuidado, foi feita há quase 20 anos. "Sou o único que ainda tem", revela.

A paixão pela competição automobilística surgiu em meados da década de 1970, enquanto atuava como diretor da Companhia Avícola Minuano. Uma de suas atribuições era visitar os produtores no interior do Vale. O contato com a natureza o motivou a procurar os jipeiros da região.

Pouco tempo depois, comprou seu primeiro jipe, que já tinha rodado mais de 23 mil quilômetros. "Era o melhor que tinha", conta. Três fatores alimentavam a paixão de Mano pelo rally - o companheirismo, a adrenalina e a sensação de liberdade. "O Roque Santeiro tinha uma frase, 'tu volta com a alma enxaguada e lavada de felicidade' (sic). Era assim como eu me sentia quando saía com meu jeep. Não tinha tempo ruim", afirma.

A turma de Mano rodava pelo interior, abrindo trilhas para andar com os carros. Na primeira, saíram de Lajeado pelo Bairro Conventos e seguiram para Santa Clara do Sul, Marques de Souza e até voltarem pela cascalheira do rio. "Quem abriu essas trilhas da região foi tudo eu. Saíamos em três ou quatro jipes desbravando caminho."

Mano começou os trabalhos no Jeep Club como vice-presidente até que assumiu o cargo de presidente em 1993, onde ficou por quase uma década. Neste período, o entusiasmo por jipes e rally só foi aumentando. Hoje, Mano segue acompanhando competições e eventos dos clubes da região. "Virei uma lenda, uma referência para os jipeiros do Vale", confessa. Quando pode, entra no seu jipe para dirigir pelo interior, como se fosse na época do Jeep Club do Vale do Taquari. "Só vou parar quando não puder dirigir mais", ressalta.

A primeira prova

Depois de abrir muitas trilhas de jipe pelo interior, a turma do Jeep Club Vale do Taquari resolveu que era hora de realizar a primeira competição. Assim, começou a organizar o 1º Jeep Raid, realizado entre 17 e 18 de novembro de 1990, capitaneado por Joel de Mello Araújo, que já tinha experiência como administrador - na época, atuava há dez anos como diretor da Proave, onde trabalhou até 2001. "Usei todos os meus conhecimentos da minha profissão para organizar o evento. Então, foi fácil de coordenar", destaca.

Da Praça da Matriz, 31 jipes saíram para percorrer um trajeto de 68 quilômetros. "Os veículos saíram do meio da praça. Tivemos que convencer o prefeito de Lajeado, Claudio Pedro Schumacher, a liberar, mas ele topou e deu tudo certo."

O clube também contou com o apoio dos moradores da região, que deixaram os jipes dirigir no meio das propriedades. O encerramento do primeiro evento do Vale foi marcado por muita comida e festa. "Foi um dos momentos mais marcantes da minha vida."

Sem medo

A paixão pelo jipe levou Joel de Mello Araújo a visitar diversas cidades para participar de competições. Enquanto jipeiro, foi até Tramandaí, Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Camaquã, Pelotas e até para Santa Catarina. Seu objetivo não era ganhar, mas se divertir. "Sempre ficava entre os cinco primeiros. Cheguei a ficar em segundo lugar na prova em Bento Gonçalves. Mas estava lá para dirigir e aproveitar o tempo dentro do jipe. A prova de jeep é para quem tem um gênio indomável e não tem medo de perigo", afirma.

E o jipeiro não parou por aí. Em 1995, enquanto visitava a Europa, comprou uma revista na Suíça e descobriu que havia uma prova prestes a ocorrer em Munique, na Alemanha, onde iria visitar em breve. "Como tinha algumas horas antes de voltar, aproveitei para participar da prova. E ganhei", relata. O prêmio foi um boné, que Mano guarda até hoje. "É meu troféu."

Comentários

VEJA TAMBÉM...