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Aedes aegypti infesta metade do Vale

Focos do mosquito foram encontrados em mais dez cidades no ano passado

Créditos: Julian Kober
ATENÇÃO: manter as piscinas tratadas o ano inteiro ajuda a prevenir a proliferação do Aedes aegypti - Guilherme van Leeuwen

Vale do Taquari - Levantamento divulgado ontem mostra que 18 municípios do Vale do Taquari estão infestados pelo mosquito Aedes aegypti - Arroio do Meio, Bom Retiro do Sul, Cruzeiro do Sul, Colinas, Dois Lajeados, Encantado, Estrela, Fazenda Vilanova, Forquetinha, Lajeado, Marques de Souza, Muçum, Paverama, Putinga, Taquari, Teutônia, Travesseiro e Westfália.

Conforme os dados da 16ª Coordenadoria Regional da Saúde, o número de cidades consideradas infestadas pelo mosquito vem aumentando nos últimos anos. Em 2016, foram encontrados focos de larva em Lajeado, Estrela, Teutônia e Taquari. No ano seguinte, mais quatro - Encantado, Forquetinha, Marques de Souza e Paverama. E, em 2018, mais dez cidades, representando um aumento de 150% em relação a 2017 - Arroio do Meio, Bom Retiro do Sul, Cruzeiro do Sul, Colinas, Dois Lajeados, Fazenda Vilanova, Muçum, Putinga, Travesseiro e Westfália.

O coordenador da 16ª CRS, Ramon Zuchetti, atribui o aumento do número de focos encontrados à intensificação da fiscalização. "Estamos fazendo um acompanhamento diferenciado. Ajudamos vários municípios a realizar visitas e coletas. E esta participação efetiva da coordenadoria ajudou as cidades a identificar mais focos", explica. Outro fator é a proximidade entre os municípios do Vale e fluxo de pessoas de fora. "Esta peculiaridade nossa é uma preocupação para a coordenadoria. Porque as pessoas que passam pela região podem estar transportando o mosquito, aumentando o número de infestações."

Apesar do aumento de cidades consideradas infestadas, o número de casos de dengue notificados no Vale diminuiu. Em 2017, foram notificados 21, mas nenhum comprovado. Já no ano passado, ocorreram 12 notificações e um caso confirmado - em Teutônia. "Foi uma pessoa que contraiu a doença fora da cidade, enquanto viajava. Identificado, o paciente foi isolado e recebeu tratamento", explica Zuchetti. Não houve registro de casos de febre amarela, chikungunya e zika vírus. No entanto, o coordenador destaca que o risco de infecção ainda existe. A situação é ainda mais agravante nesta época do ano, por ser um período com temperaturas mais elevadas e índices de chuva favorecendo a proliferação do Aedes. "Estamos convivendo com o vetor. Basta que alguém seja picado por esse mosquito para ficar infectado, e aí estaremos numa situação bastante delicada. Temos muito receio do que pode acontecer", alerta.

Entenda

De acordo com o Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), para que um município seja considerado infestado deve ser identificado um foco de larvas do mosquito nas atividades de vigilância em armadilhas ou pontos estratégicos - borracharias, depósitos de veículos, depósitos de resíduos, cemitérios, praças, entre outros. Caso a larva seja encontrada em um desses pontos, é necessário verificar todos os imóveis num raio de 300 metros (ou nove quarteirões). Basta mais um único foco e o município passa à condição de infestado.

Ele também é classificado como infestado caso venha a registrar um caso autóctone de doença transmitida pelo Aedes aegypti, ou seja, caso a investigação identifique um caso confirmado em um residente sem histórico de viagem recente a outras localidades. Conforme o último informativo epidemiológico, divulgado ontem, 318 municípios gaúchos foram considerados infestados pelo mosquito.

As cidades só podem sair dessa classificação caso permaneçam 12 meses consecutivos sem identificar novos focos e forem atendidos outros critérios, como a comprovação de ativa e efetiva vigilância e registro das atividades nos sistemas de informação.

Baixo risco

Apesar da quantidade de municípios infestados na região, o último Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa) e o Levantamento de Índice Amostral (LIA), que busca monitorar a presença do mosquito ao longo do ano, mostram que o risco de surto de dengue é baixo no Vale. Conforme os dados, divulgados em dezembro, o Índice de Infestação Predial (IIP), que equivale à relação entre o número de imóveis onde foram encontradas larvas, nos municípios da região, está abaixo de 1%, sendo considerados satisfatórios. Em dez cidades, o IIP é 0% - Bom Retiro do Sul, Cruzeiro do Sul, Dois Lajeados, Encantado, Fazenda Vilanova, Forquetinha, Muçum, Putinga, Taquari e Teutônia. Em Lajeado, o índice é de 0,1%; em Estrela, 0,2%; Marques de Souza, 0,3%; Paverama, 0,3%; e em Arroio do Meio é 0,4%.
O Centro Estadual de Vigilância em Saúde ressalta que, embora o resultado seja 0% ou inferior a 1%, não significa que o risco seja excluído, nem que a condição de infestado mude.

Caso o índice seja superior a 1%, a situação passa a ser de alerta. Atualmente, 84 municípios gaúchos receberam esta classificação. A situação é ainda mais agravante em outros nove cidades, onde mais de 3,9% dos imóveis vistoriados apresentem foco de larva - Ajuricaba (4,1%), Garruchos (4,3%), Nonoai (8,6%), Santo Antônio das Missões (6,8%), Santo Cristo (4,2%), São Borja (5%), São Nicolau (6,6%), Três de Maio (6%) e Vista Gaúcha (4,2%).

O LIRAa é considerado uma importante ferramenta para realizar ações de combate e controle do Aedes aegypti. Com as informações coletadas no levantamento, as prefeituras podem identificar os bairros onde estão concentrados os focos de reprodução do inseto, além do tipo de depósito onde as larvas foram encontradas.

Conscientização

Em Lajeado, considerada infestada pelo Aedes aegypti desde 2016, a Vigilância Ambiental da Secretaria da Saúde identificou, no mês de outubro, a presença do mosquito nos bairros Americano, Hidráulica, Bom Pastor, São Cristóvão e Morro 25. Atualmente, o município conta com uma equipe de sete agentes de endemias, além do auxílio dos agentes comunitários de saúde, para ações de prevenção e combate ao inseto. Eles realizam inspeção de imóveis e pontos estratégicos com a finalidade de eliminar criadouros, monitorar a presença de novos focos e orientar os responsáveis quanto a medidas de prevenção à proliferação desse mosquito.

O titular da Secretaria da Saúde, Tovar Grandi Musskopf, destaca que a participação da comunidade é fundamental no controle e eliminação do inseto, recebendo esses agentes e permitindo que entrem nas casas para realizar as vistorias. "É importante que a população se conscientize de que o município está infestado pelo Aedes aegypti, e só vamos sair desta classificação com a colaboração de todos. Cuidem de suas residências, prédios e estabelecimentos. Se cada um fizer a sua parte, vamos ficar livre deles."

Prevenção contra o mosquito

O Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) ressalta que o baixo registro de casos não deve ser visto como desmobilização. O Aedes aegypti tem em média menos de um centímetro, é escuro e com riscos brancos nas patas, cabeça e corpo. Para se reproduzir, precisa de locais com água parada. Por isso, o cuidado para evitar a sua proliferação busca eliminar esses possíveis criadouros, impedindo o nascimento do inseto. Entre as medidas, recomenda-se:
- Tampar caixas d'água, tonéis e latões
- Guardar garrafas vazias viradas para baixo
- Guardar pneus sob abrigo
- Não acumular água nos pratos de vasos de plantas e enchê-los com areia
- Manter desentupidos ralos, canos, calhas, toldos e marquises
- Manter lixeiras fechadas e piscinas tratadas o ano inteiro.

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